Kinshasa, 17 nov (EFE).- Os rebeldes tutsis ocuparam hoje a cidade de Rwindi, na província de Kivu Norte, no leste da República Democrática do Congo (RDC), apesar da promessa feita neste domingo pelo general Laurent Nkunda de que a guerrilha cumpriria o cessar-fogo, informou hoje à Agência Efe um porta-voz da ONU.

"A cidade de Rwindi caiu nas mãos das tropas do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP)", disse o porta-voz militar da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc), Jean-Paul Dietrich.

"Advertimos às tropas de Laurent Nkunda que se avançarem mais, teremos que intervir" para separar os guerrilheiros das tropas do Governo, disse Dietrich, que comentou que a desordem reina na região, onde uma patrulha de capacetes ficou encurralada em um fogo cruzado entre rebeldes e soldados.

Segundo o porta-voz da Monuc, também houve combates em Mashaka, a 15 quilômetros ao sul de Kanyabayonga, onde foi usada artilharia pesada e o "CNDP acusou o Exército de avançar em suas posições".

Ainda de acordo com Dietrich, a Monuc tirou pelo menos 19 soldados das Forças Armadas da RDC feridos gravemente.

Além disso, um capacete azul indiano ficou ferido após a explosão de um obus após os enfrentamentos de ontem em Kivu Norte, durante os combates entre rebeldes e soldados do Exército congolês perto de uma base da Monuc.

Por sua parte, o porta-voz do CNDP, Bertrand Bisimwa, disse por telefone que as "Forças Armadas da RDC retrocederam até Vitshumbi", localidade situada às margens do Lago Edouard, a 20 quilômetros de Rwindi e a 120 quilômetros de Goma (capital de Kivu Norte), por isso não têm mais o que fazer a não ser fugir pelo lago ou pela selva".

Os enfrentamentos de hoje podem ter causado mais deslocamento de civis, que se uniriam aos mais de 250 mil desalojados por causa da violência desde agosto em Kivu Norte, o que agravaria a situação humanitária na RDC, uma vez que já havia quase 1 milhão de deslocados na região.

A ONU e as ONGs também conseguiram ontem de Nkunda o compromisso de criar corredores humanitários para fornecer aos deslocados comida, remédios e proteção, dos quais carecem há mais de duas semanas, mas os recentes enfrentamentos poderiam impedir sua abertura.

Os confrontos de hoje, que começaram de manhã com a tomada da cidade de Ndeko, contrastam com as declarações de ontem de Nkunda e o otimismo manifestado pelo enviado especial a ONU à RDC, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo, após o encontro que os dois tiveram na cidade de Jomba, em Kivu Norte.

Em qualquer caso, Nkunda minimizou a importância dos confrontos dos últimos dias e disse que "não são combates verdadeiros, mas incidentes entre os dois lados".

Em declarações à imprensa, Nkunda expressou sua firme vontade de negociar com o Governo de Kinshasa, enquanto Obasanjo anunciou que tinha chegado a um acordo com o líder rebelde sobre a criação de um comitê tripartite.

Obasanjo, que atua como representante especial do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse ontem que Nkunda tinha aceitado criar um comitê tripartite de vigilância do cessar-fogo, com participação de um representante do Governo, um dos rebeldes e um neutro.

"O cessar-fogo é como dançar tango: não se pode fazer sozinho", declarou Obasanjo ontem.

Na sexta-feira, os ministros de Assuntos Exteriores da RDC e de Ruanda se reuniram em Kigali e decidiram potencializar suas relações diplomáticas e colaborar para o desarmamento das guerrilhas dos dois países, no encontro de mais alto nível entre os dois países nos últimos dez anos.

A colaboração entre os Governos de Kinshasa e Kigali é considerada essencial para acabar com o conflito do leste da RDC.

Segundo projeções, 5,5 milhões de pessoas morreram por causa da violência no antigo Zaire desde 1998, média de 1,5 mil por dia. EFE py/wr/jp

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