Rebeldes tutsis afirmam que estão surgindo condições para uma guerra

Goma (RDC), 6 nov (EFE).- Os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) afirmam que, com o reforço das tropas governamentais na cidade de Goma, no leste da República Democrática do Congo (RDC), estão surgindo as condições para a guerra, declarou à Agência Efe seu porta-voz.

EFE |

Bertrand Bisimwa, porta-voz do CNDP, afirmou à Efe por telefone que as forças da guerrilha liderada por Laurent Nkunda mantêm suas posições na entrada de Goma, capital de Kivu Norte, onde declararam um cessar-fogo no dia 29 de outubro, após terem ocupado boa parte desta província oriental.

Segundo o porta-voz rebelde, o CNDP "mantém o cessar-fogo e as mesmas forças que tinha nos arredores de Goma, para onde não enviou reforços, mas está pronto para fazer isto" caso o Governo de Kinshasa, presidido por Joseph Kabila, continue mandando tropas.

"Nós pedimos à Missão das Nações Unidas na RDC (Monuc) que não deixasse entrar os militares (das Forças Armadas da RDC) em Goma, mas fez isto e chegaram mais", declarou Bisimwa.

Por este motivo, reiterou, "estão surgindo as condições para a guerra", que Nkunda afirmou que levará até Kinshasa para derrubar o regime de Kabila, caso este não aceite estabelecer as negociações diretas que solicitou.

Nkunda acusa Kabila, entre outras coisas, de não proteger a minoria tutsi da RDC e permitir a presença em território do país de guerrilheiros hutus ruandeses, que são relacionados ao genocídio de Ruanda de 1994, no qual em cem dias calcula-se que foram assassinados 800.000 tutsis e hutus moderados.

Por outro lado, os "capacetes azuis" da Monuc receberam em Goma a ordem de abrir fogo contra os rebeldes se tentarem ocupar a cidade, afirma o subsecretário-geral das Nações Unidas para Operações de Paz, Alain Le Roy.

Le Roy disse ontem na capital de Kivu Norte, abandonada por grande parte de sua população ante o ataque dos rebeldes, que os soldados da ONU "devem abrir fogo" no caso de "grupos armados tentarem entrar em Goma".

Milhares de deslocados pela violência perambulam há duas semanas pelo leste da RDC sem poderem receber ajuda humanitária, já que seus povoados e acampamentos estão ocupados ou foram destruídos por militares e grupos armados.

Desde que recomeçaram as hostilidades no leste da RDC em agosto passado, cerca de 250.000 pessoas ficaram deslocadas de suas casas na região, 100.000 delas durante a ofensiva do CNDP nas duas últimas semanas.

Dos cerca de seis milhões de habitantes que existem na província congolesa de Kivu Norte, calcula-se que um quinto, 1,2 milhão, vive deslocado e em uma situação desesperadora, que se agravou nestas últimas semanas.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, liderará amanhã em Nairóbi uma cúpula para buscar soluções para o Conflito no leste da RDC, reunião que também contará com a presença de vários presidentes africanos. EFE gp/fal

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