Rebeldes rejeitam condições de Manila para buscar paz no sul das Filipinas

Manila, 21 ago (EFE).- A Frente Moura de Libertação Islâmica (FMLI), rejeitou hoje qualquer renegociação do memorando pactuado com o Governo filipino para abrir caminho para um acordo de paz, e assegurou que não entregará os chefes da organização envolvidos nos recentes ataques contra aldeias cristãs.

EFE |

"Não vamos renegociar. Após três anos e oito meses, a negociação está liquidada", disse à imprensa Mohagher Iqbal, chefe negociador do FMLI, a maior organização separatista das Filipinas.

Mohagher respondeu assim ao anúncio do Governo sobre a anulação e sua disposição a renegociar o memorando de entendimento pactuado com o FMLI sobre as demarcações do território autônomo muçulmano, ponto considerado fundamental para alcançar um acordo definitivo de paz.

"A anulação do memorando é um passo doloroso para nossos esforços de conseguir um acordo de paz com o FMLI", declarou em entrevista coletiva Lorelei Fajardo, porta-voz da presidente das Filipinas, Gloria Macapagal Arroyo.

Fajardo revelou que a presidente filipina buscará um novo acordo que se ajuste à Constituição, sem tolerar nenhum tipo de pressão por parte das forças do FMLI.

A tensão na região sul do arquipélago ressurgiu há duas semanas, quando a Corte Suprema bloqueou a assinatura do memorando por causa dos protestos de alguns políticos católicos da zona, que rejeitam o aumento da autonomia aos muçulmanos da região do Mindanao Desde então, pelo menos 102 pessoas morreram e outras 150 mil fugiram de suas casas por causa dos enfrentamentos entre o Exército e os rebeldes do FMLI nas províncias de Cotabato do Norte e Lanao do Norte.

O Governo advertiu hoje ao FMLI que só voltará à mesa de negociações quando os rebeldes entregarem os dois comandantes que lideraram o recente massacre de civis.

Os dois chefes que o Governo reivindica são Umbra Kato, que liderou centenas de rebeldes nos ataques a 15 povoados na província de Cotabato do Norte, e Abdurahman Macapaar, que declarou, na quarta-feira passada, "guerra total", e a quem o Governo acusa de ordenar o assassinato de civis em cinco localidades.

"Somos uma organização revolucionária, e nunca vamos entregar nossos homens", assinalou Mohagher. EFE ad/gs

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