Por Michael Stott MOSCOU (Reuters) - Rebeldes chechenos disseram nesta sexta-feira que foram os responsáveis pelo desastre desta semana em uma represa da Sibéria, como parte de uma nova campanha de guerra econômica contra a Rússia.

Uma fonte do Kremlin qualificou como "idiota" a declaração, feita em um site rebelde, os mercados financeiros russos mal se abalaram, e analistas duvidaram, já que investigações iniciais apontaram a falta de manutenção da represa como causa da tragédia.

Em Grozny, a capital chechena ainda marcada por duas devastadores guerras separatistas, homens-bomba usando bicicletas realizaram cinco ataques nesta sexta-feira, matando pelo menos quatro policiais, segundo agências russas de notícias.

Na manhã de segunda-feira, uma inundação na casa de máquinas da maior hidrelétrica russa matou pelo menos 30 pessoas, deixando também 45 desaparecidos. Horas depois, um caminhão-bomba matou pelo menos 20 pessoas na sede da polícia na região da Inguchétia, vizinha à Chechênia.

O site www.kavkazcenter.com, que diz representar rebeldes chechenos, divulgou nota assinada pelo "Batalhão de Mártires" em que esse grupo separatista islâmico dizia ter colocado uma granada na sala de máquinas da hidrelétrica e cometido o ataque da Inguchétia.

"Glória a Alá, em 17 de agosto, por meio dos nossos esforços, uma operação subversiva foi realizada na Khakásia, na represa hidrelétrica de Sayano-Shushenskaya", disse a carta, divulgada no mesmo dia em que o primeiro-ministro Vladimir Putin visita a represa e conversa com equipes de resgate.

"No mesmo dia, 17 de agosto, na cidade de Nazran, o batalhão Riyadus-Salikhiyn Shahid realizou uma operação para destruir as gangues fantoches de ocupação... nas instalações do Ministério do Interior."

Promotores russos disseram na sexta-feira que especialistas em explosivos da FSB (agência de inteligência interna) não encontraram traços de explosivos na represa.

Analistas especializados na questão do Cáucaso duvidaram da reivindicação dos rebeldes, que também anunciaram planos de se espalhar pela Rússia para atacar dutos de gás e petróleo, usinas elétricas e linhas de distribuição elétrica.

"Se houvesse uma competição de mentiras entre esse site e o FSB, não sei quem ganharia", disse a jornalista Yulia Latynina, que cobre o norte do Cáucaso e faz oposição ao governo.

"No caso dos ataques terroristas, a notificação sobre quem realizou um ataque normalmente ocorre no momento do ataque. O acidente da usina aconteceu na segunda-feira de manhã. Se este site colocasse o anúncio meia hora antes, sua reivindicação teria sido plausível."

As agências russas de notícias, que normalmente seguem a orientação do governo em temas delicados, não divulgaram as informações do site rebelde.

O rublo chegou a se desvalorizar diante de uma cesta de moedas estrangeiras, mas voltou a seu nível anterior, cerca de 10 kopecks (centavos) abaixo do fechamento de quinta-feira. O índice acionário Micex, que passou o dia quase estável, subia 0,17 por cento às 6h50 (hora de Brasília).

A cotação-base do petróleo bruto subiu 34 centavos de dólares, mas operadores ouvidos pela Reuters minimizaram a declaração dos rebeldes.

"Isso é um total absurdo, porque ninguém assume a responsabilidade uma semana depois de um ataque terrorista", afirmou o operador Alexander Pankov, da corretora Otkrytiye.

(Reportagem adicional de Dmitry Solovyov, Guy Faulconbridge, Simon Shuster, Melissa Akin, Oleg Shchedrov, Robin Paxton, Gleb Bryanski e Conor Humphries)

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