Rebeldes islâmicos negam fome na Somália e mantêm veto à ajuda

ONU diz que operações humanitária continuam no país, que enfrenta a pior seca em 50 anos

iG São Paulo |

Rebeldes islâmicos do grupo Al-Shabab, ligado à Al-Qaeda, negaram nesta sexta-feira a existência de uma crise de fome na Somália, denunciada pela ONU na terça-feira . O porta-voz do grupo, Ali Mohamud Rage, também afirmou que está mantido o veto à entrega de ajuda humanitária internacional às regiões controladas pelo grupo, no sul do país.

O próprio porta-voz havia anunciado no início do mês que as agências humanitárias muçulmanas ou não voltariam a ter permissão para entrar na Somália se não tivessem “segundas intenções”. No entanto, nesta sexta-feira ele voltou atrás. “As agências que banimos continuam banidas. Elas estão envolvidas em atividades políticas”, disse.

Reuters
Mulher somali chora após seu filho morrer em hospital de Mogadíscio

Rage afirmou que a ONU fez “propaganda” ao declarar crise de fome nas regiões de Bakool e Baixa Shabelle, ambas no sul da Somália. "Há uma grande seca na Somália , mas não há fome. O que a ONU diz é 100% falso", disse.

A ONU afirmou que por enquanto suas operações humanitárias na Somália continuam. Após as declarações de Rage, a porta-voz do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da organização, Emilia Casella, afirmou que o Al-Shabab não tem controle uniforme do país. “Não existe um comando único”, disse.

Casella declarou que o PMA aplica seus planos de distribuição de ajuda quando recebe garantias tanto de segurança para seu pessoal, quanto de que os mantimentos chegarão a quem mais necessita. "A situação é desesperadora. Trata-se de uma missão para salvar vidas, portanto somos obrigados a executá-la", afirmou Casella em entrevista coletiva concedida em Genebra.

Crianças

Também nesta sexta-feira, o diretor regional do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) para o leste e o sul da África, Elhadj As Sy, afirmou que o órgão também continua com suas atividades.

"Ainda em situações de acesso limitado, encontramos maneiras de negociar com líderes comunitários e chefes tribais. Por enquanto não temos indicações de que isto tenha mudado", relatou o representante do Unicef.

O Unicef afirmou que 780 mil crianças correm o risco de morrer se não receberem ajuda imediata. “Estamos falando apenas da Somália", afirmou a porta-voz do Unicef em Genebra, Marixie Mercado, que acrescentou que o número total de crianças em situação de "desnutrição severa" na Somália, Quênia e Etiópia é de 2,3 milhões neste momento.

O dado supera o divulgado na terça-feira pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que afirmou que 500 mil crianças enfrentam "um iminente risco de morte" na Somália.

Com BBC, AFP e EFE

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