Duas aeronaves do grupo rebelde Tigres Tâmeis fizeram uma incursão surpresa na noite desta sexta-feira na capital do Sri Lanka, Colombo, sendo derrubadas pelos militares cingaleses. Segundo as autoridades, pelo menos duas pessoas morreram nos incidentes e mais de 50 teriam ficado feridas.


Ainda não está claro se as duas aeronaves estavam em uma missão suicida.

O Ministério da Defesa do Sri Lanka informou que os dois aviões teriam sido derrubados pelo sistema de defesa antiaérea do país, fazendo com que a missão dos militantes fosse "abortada".

Um das aeronaves abatidas, no entanto, caiu sobre um prédio da Receita cingalesa, ferindo 47 pessoas.

O edifício entrou em chamas e a maioria de suas janelas foi quebrada.

Citando como fonte o Hospital Nacional de Colombo, o Ministério da Defesa informou que dois dos feridos acabaram morrendo.

A outra aeronave teria sido abatida quando sobrevoava a cidade de Negambo. Partes do avião e do corpo do piloto, segundo as autoridades cingalesas, foram encontradas perto da base aérea de Katunayake.

Seis civis teriam sofrido ferimentos em Katunayake, sendo transferidos para o hospital de Negambo.

Segundo o site TamilNet
, considerado pró-rebeldes, os Tigres de Libertação da Pátria Tâmil (LTTE, na sigla em inglês), assumiram os atos desta sexta-feira.

A incursão aérea dos rebeldes ocorre em um momento em que o governo cingalês realiza uma ofensiva no enclave dos Tigres Tâmeis no norte do Sri Lanka.

Na ofensiva, as forças do governo conseguiram expulsar muitos rebeldes de seus esconderijos, forçando-os a se refugiar em uma pequena área na floresta ao norte do Sri Lanka.

De acordo com o analista da BBC Warren Bull, os acontecimentos desta sexta-feira são um grande constrangimento para o governo, que havia afirmado ter destruído todas as pistas para aviões dos Tigres Tâmeis.

Acredita-se que os Tigres Tâmeis possuam algumas aeronaves pequenas, de dois assentos, de fabricação checa. Os aparelhos teriam sido adaptados para carregar bombas e armamentos.

A cidade de Colombo foi colocada em estado de alerta a partir das 21h30 (13h, horário de Brasília) e a eletricidade foi cortada para que os holofotes da defesa antiárea fossem ligados.

O cidadão britânico Barry Walker afirmou à BBC que estava em um hotel no centro de Colombo no momento dos incidentes.

"Estávamos sentados perto da piscina quando ouvimos a artilharia pesada da defesa antiaérea. Isto durou entre 20 e 25 minutos. Então houve uma grande explosão", disse.

Walker e os outros hóspedes foram conduzidos até o porão do hotel, onde ficaram abrigados por cerca de duas horas.

Outra testemunha disse à BBC que ter visto uma aeronave voando baixo quando ouviu uma grande explosão no local onde ficam alguns prédios do governo.

Informações dão conta de que o quartel-general da Força Aérea cingalesa, que fica no local, poderia ser o alvo dos rebeldes.

Esta não é a primeira vez que os Tigres Tâmeis lançam ataques aéreos contra Colombo ou alvos militares em outras áreas do país.

O primeiro ataque do tipo aconteceu em 26 de março de 2007, quando os rebeldes atingiram uma base aérea em Katunayake, perto do aeroporto internacional de Bandaranaike, nas proximidades de Colombo.

No dia 29 de abril do ano passado, aviões bombardearam alvos próximos a Colombo, atingindo instalações de combustíveis.

Além destes, já foram registrados pelo menos cinco ataques aéreos atribuídos aos Tigres Tâmeis entre 2007 e 2008.

Os Tigres Tâmeis, considerados uma organização terrorista por muitos países, lutam desde a década de 1970 pelo estabelecimento de um país independente para os membros da etnia tâmil do Sri Lanka, no norte e no leste do país.

Eles sustentam que os tâmeis vêm sofrendo discriminação por parte de sucessivos governos formados pela maioria cingalesa.

Estima-se que nos últimos 25 anos o conflito no Sri Lanka tenha deixado cerca de 70 mil mortos e forçado milhares a deixar suas casas.

Tanto os rebeldes quanto o Exército cingalês são acusados de abusos dos direitos humanos por organizações como a Anistia Internacional.

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