Por Andrew Heavens CARTUM (Reuters) - Um grupo rebelde de Darfur acusou nesta quinta-feira o Exército sudanês de atacar suas posições, no mesmo dia em que o presidente do país declarou encerrada a guerra na região, e agentes humanitários informaram que 100 mil pessoas já fugiram do conflito.

O ataque teria ocorrido na quarta-feira em pelo menos três áreas da região montanhosa de Jabel Marra, no centro de Darfur, disse à Reuters o Exército de Libertação do Sudão (ELS).

O Exército negou que tenha havido confrontos na quarta-feira nessa região, que os militares dizem controlar.

O ELS disse que as forças do governo atacaram suas posições em pelo menos três áreas do Estado de Darfur do Oeste, inclusive na movimentada cidade comercial de Deribat.

"Intensos combates ocorriam até tarde da noite", disse Ibrahim al Hillu, porta-voz dos rebeldes. "O governo atacou em grande número, apoiado por (aviões) Antonovs, helicópteros armados e MiGs. Esta é a paz que o governo está oferecendo."

O relato dos rebeldes deve gerar dúvidas sobre as recentes iniciativas do governo para acabar com o conflito de sete anos em Darfur, o que inclui um cessar-fogo com o principal grupo rebelde da região.

A entidade humanitária francesa Médicos Sem Fronteiras disse na quarta-feira que foi obrigada a suspender suas operações por causa dos combates em Jabel Marra, mas não informou quem eram os envolvidos.

O presidente Omar Hassan al Bashir declarou na quarta-feira que a guerra em Darfur havia acabado, e anunciou a libertação de 57 rebeldes presos, após um acordo preliminar com o Movimento de Justiça e Igualdade, principal facção armada da região.

Na terça-feira, o governo assinou em Doha um acordo comprometendo o Sudão a buscar um tratado definitivo de paz com o MJI até 15 de março.

O conflito em Darfur começou em 2003, quando o MJI e o ELS, formados por tribos não-árabes da região, pegaram em armas contra o governo árabe do Sudão, acusando-o de marginalizar a região e deixá-la na miséria.

(Reportagem adicional de Khaled Abdelaziz)

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