Rebeldes de Darfur avançam em direção a Cartum

Os rebeldes do Movimento pela Justiça e a Igualdade (JEM), de Darfur, avançavam neste sábado ao norte em direção a Cartum, onde foi declarado toque de recolher, informou o Exército sudanês em um comunicado.

AFP |

"As Forças Armadas enfrentam atualmente um ataque dos rebeldes de Khalil Ibrahim (líder do JEM) ao norte de Omdurman", informou um comunicado do Exército lido na TV estatal.

O Ministério do Interior declarou toque de recolher na capital do Sudão a partir das 17h00 local (09h00 de Brasília) de hoje até às 06h00 (00h00) de domingo e pediu que os moradores da capital permaneçam em suas casas.

O JEM, um grande grupo rebelde de Darfur, província a oeste do país imersa em uma guerra civil, anunciou em seu site na internet que tomou a base aérea de Wadi Sayyedna, ao norte de Cartum.

Em Londres, o porta-voz do JEM Ahmed Hussein Adam disse que os rebeldes já estão na capital e confirmou a queda da base aérea de Wadi Sayyedna.

Hussein Adam destacou que da base aérea partem todos os vôos militares sudaneses para Darfur".

Um morador de Omdurman, Sadiq Babo Nimr, informou por telefone à AFP que os residentes da cidade se esconderam em suas casas. "Bem em frente ao meu apartamento, escuto o bombardeio de artilharia pesada".

"Estamos deitados no chão, porque as balas perdidas passam por todos os lados. Minha mulher e meus filhos têm muito medo", afirmou.

Nimr assegurou que começou a ouvir disparos distantes por volta das 16H30, e que posteriormente se aproximaram. Segundo ele, a luz e os telefones celulares foram cortados.

Kamal Obeid, membro do Congresso Nacional, o partido do presidente sudanês Omar el Bechir, garantiu que a ofensiva rebelde "fracassou", e acusou o Chad de estar por trás do ataque a Cartum.

"A operação é um fracasso. O JEM está tentando desestabilizar (o Sudão), mas as forças armadas estão reagindo", declarou.

O governo do Chad rejeitou as acusações de Obeid e negou "qualquer implicação" no ataque a Cartum.

Segundo o porta-voz Mahamat Hissene, "o governo (chadiano) não tem qualquer envolvimento nesta aventura e condena seus autores".

"O governo chadiano, que sempre deu seu apoio a busca da paz no Sudão e na região, incita as autoridades e a oposição a manter o diálogo".

O Exército ocupou as ruas quase desertas de Cartum, onde o comercio permaneceu de portas fechadas.

Neste sábado, o porta-voz americano de Segurança Nacional, Gordon Johndroe, destacou a preocupação dos Estados Unidos com a situação no Sudão, e pediu aos rebeldes da província de Darfur e às forças do governo que suspendam as hostilidades.

"Apelamos às duas partes para que cessem as hostilidades, tanto do grupo rebelde como por parte do governo. Queremos que se restaure a calma e a ordem".

str-iba/dm/LR

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