Rebeldes da RDC aceitam se reunir com governador de Kivu Norte

Kinshasa e Paris, 3 dez (EFE).- O grupo rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), declarou-se disposto a receber uma missão de informação do governador da província Kivu Norte, Julien Paluku, visando a resolver o conflito armado que afeta o leste da República Democrática do Congo (RDC), informou hoje a imprensa de Kinshasa, com declarações do porta-voz oficial do CNDP, Bertrand Bisimwa.

EFE |

O CNDP exige, porém, que eventuais negociações de paz sejam entre delegações lideradas, respectivamente, pelo líder do movimento, o general Laurent Nkunda, e o presidente congolês, Joseph Kabila.

O Governo rejeitou a sugestão e indica, por sua vez, que as conversas devem incluir a todas as facções envolvidas no atual conflito, que tem como epicentro o Kivu Norte.

O porta-voz do CNDP ressaltou que a proposta de Paluku é "um bom sinal, que poderia abrir uma saída à crise e permitir uma reconciliação entre os congoleses".

Kinshasa também deu aval à iniciativa do governador Paluku, que anunciou ontem sua disposição para dialogar diretamente com Nkunda.

O Governo central congolês também encorajou o governador de Kivu Norte a manter contatos com os demais grupos armados locais para tentar a pacificar a região.

O ministro de Comunicação, Lambert Mende, que não descartou as iniciativas bilaterais em nível local, reiterou, no entanto, que o único marco de resolução é o chamado Processo Amani, que exige a participação de todos os protagonistas.

O Processo Amani surgiu após a Conferência de Paz, Segurança e Desenvolvimento realizada em janeiro em Goma, capital de Kivu Norte, e conduziu a uma trégua assinada pelo CNDP, pelo Governo e por outros grupos rebeldes aliados deste último desde a guerra de 1998 a 2003 no leste congolês.

O Processo de paz, que previa a desmobilização de todos os combatentes e sua integração ao Exército congolês caiu em agosto, quando Nkunda tomou novamente as armas.

Uma trégua unilateral declarada pelo mesmo Nkunda pôs fim aos combates entre o CNDP e as tropas governamentais, mas os rebeldes seguem atacando as milícias paramilitares aliadas a Kinshasa.

Enquanto isso, quase 65% da população de Kanyabayonga retornou aos seus lares, que abandonaram no dia 10 de novembro fugindo dos combates entre os rebeldes de Nkunda e o Exército da República Democrática do Congo (RDC), informaram hoje fontes da ONU.

Porém, os agricultores não têm acesso a seus campos de cultivo já que os soldados das forças armadas da RDC se apoderaram deles, revelou a ONU.

As escolas de Kanyabayonga também estão ocupadas pelos soldados, pelo que as crianças ainda não voltaram às salas de aula, situação que se repete na localidade de Kaina, 185 quilômetros ao norte de Goma, após o retorno de 40% de seus habitantes há uma semana.

A França, que exerce a Presidência dda União Européia (EU) neste semestre, reconheceu hoje que a iniciativa de organizar uma "operação européia autônoma" para reforçar a missão das Nações Unidas no congo (Monuc), não recebeu "o apoio suficiente" na comunidade.

Mesmo assim, o Comitê Político e de Segurança da UE (Cops), encarregado de avaliar a crise, se reunirá na sexta-feira em Bruxelas.

A Missão das Nações Unidas no congo (Monuc), no país africano desde 2001, conta atualmente com 17 mil integrantes, o que a transforma na de maiores dimensões da ONU. EFE py-st/jaf/jp

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