Rebeldes da Abkházia celebram expulsão das forças da Geórgia

Por Ilya Kachayev CHKHALTA, Geórgia (Reuters) - Forças rebeldes proclamaram na quarta-feira a libertação da Abkházia, enquanto patrulhavam um remoto desfiladeiro abandonado pelos soldados da Geórgia, que, no conflito, deixaram para trás armas, munição e roupas.

Reuters |

As forças rebeldes da Abkházia aproveitaram-se da derrota da Geórgia na Ossétia do Sul, uma área separatista da qual o Exército russo expulsou os georgianos no fim de semana, para capturar, na terça-feira, o desfiladeiro de Kodori.

'A Abkházia foi libertada totalmente. Agora, não há mais soldados georgianos em nosso território. A Abkházia recuperou sua soberania territorial. Estamos contentes por termos paz', afirmou à Reuters Alexander Melnik, ministro de Defesa da região, um cargo que não conta com reconhecimento internacional.

Parece que as forças russas não estiveram presentes na área antes ou durante a investida. O autor desta matéria não viu nenhum soldado vestindo o uniforme russo.

'Eles saíram antes de a operação ter se iniciado', disse Melnik.

Melnik deu essas declarações em Chkhalta, antes a capital do governo da Abkházia aliado da Geórgia e hoje uma cidade controlada totalmente pelos rebeldes. A sede do governo pró-georgiano viu-se destruída quase por completo.

Caixas com balas, granadas e cartuchos, a maior parte delas com etiquetas em inglês, podiam ser vistas ao lado de uma estrada. Em um dado momento, os soldados tiveram de retirar do caminho uma pilha de morteiros antes de poderem continuar.

Um lote de munição, metralhadoras e morteiros foi minado pelos georgianos em retirada, mas os explosivos não puderam ser detonados.

O desfiladeiro de Kodori era a única área da Abkházia, um território localizado entre o mar Negro e as montanhas do Cáucaso, ainda ocupada pelas forças da Geórgia, derrotadas pelos rebeldes em 1993.

Agora, o único traço do controle georgiano era a rede de telefonia móvel Geo Magti, ainda em funcionamento e que permitia estabelecer algum tipo de contato com o mundo exterior.

A vários quilômetros do prédio do governo encontravam-se os alojamentos militares, intactos.

Ao fugirem, os soldados georgianos deixaram para trás calças jeans, coletes, capacetes, artigos de toalete, revistas, cuecas e mochilas arrumadas pela metade.

O manual de instrução, escrito em inglês, para um fuzil automático Bushmaster podia ser visto em cima de uma cama. E pilhas de armas de fabricação norte-americana destruídas ainda soltavam fumaça ao lado de uma estrada.

Dois soldados da Abkházia exibiam um fuzil de assalto intacto que haviam encontrado. Os únicos tiros escutados por este correspondente vieram desses dois militares, que dispararam para o alto, celebrando.

Quase todos os moradores civis do desfiladeiro parecem ter fugido dali, e suas casas estavam vazias.

O vilarejo de Azhara, localizado na área, encontrava-se deserto apesar de vacas ainda pastarem entre algumas das casas.

As moradias estavam intactas.

'Alguns deles talvez tenham ido para a Geórgia. Ou talvez tenham subido as montanhas. As vacas deles ainda estão aqui, de forma que não devem estar muito longe', afirmou Melnik. 'Posso garantir-lhe que, daqui em diante, esse será um lugar tranquilo para as vacas.'

(Por Oliver Bullough)

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