Kinshasa, 29 out (EFE).- Rebeldes do Congresso Nacional da Defesa do Povo (CNDP) continuam hoje seu confronto contra as forças do Governo da República Democrática do Congo (RDC) nos povoados de Kibumba e Rutshuru, na entrada de Goma, a capital da província de Kivu Norte.

Segundo declarou à agência Efe por telefone o coordenador da ONG Oxfam Internacional na região, Samuel Nagbe, mais de 20 mil pessoas fugiram de Kibumba, povoado que foi tomado nas últimas horas pelos rebeldes tutsis do CNDP, liderado pelo ex-general Laurent Nkunda, que avançam rapidamente em direção a Goma.

A localidade de Rutshuru, a 20 quilômetros da fronteira com Uganda, também foi tomada pelas forças de Nkunda e "o pessoal de numerosas ONGs está encurralado na cidade, embora tentem fugir", disse Ngabe.

AFP

Milhares de pessoas deixam o país com medo da guerra

Segundo anunciou Nkunda, seu próximo alvo é a cidade de Goma, a capital da conflituosa província de Kivu Norte, onde milhares de refugiados haviam buscado refúgio e de onde muitos deles, junto com a população local, começaram a fugir desde ontem para o sul do país.

Estes novos refugiados cruzaram o lago de Kivu por medo de serem atacados pelos insurgentes, já que as Forças Armadas da RDC iniciaram a retirada de Goma, deixando-a à mercê do CNDP.

Segundo Ngabe, a grande maioria dos congoleses acredita que as forças da Missão de Observação da ONU na RDC (Monuc), que estão destacadas no país, não são suficientes e que não estão cumprindo seu objetivo principal de proteger os civis.

"É preciso levar em conta que a RDC é um país muito grande, do mesmo tamanho que o leste europeu, e que, portanto, os 17 mil soldados divididos por todo o território, e não só em Kivu, não são suficientes", especificou Ngabe.

As forças da Monuc tentaram manter a separação entre a milícia do CNDP e o Exército governamental, mas não conseguiram que se respeitassem os acordos assinados em janeiro.

AP
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, declarou hoje aos jornalistas em Manila, respeito à situação na RDC, que "os combates devem terminar" e se mostrou especialmente preocupado pela situação em Goma e a vizinha Ruanda.

Por outra parte, em comunicado divulgado hoje, o alto representante para a Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana, considerou "excepcional" o trabalho realizado pela Monuc e pediu a todas as partes envolvidas no conflito, "especialmente o CNPD", que parem suas ações.

O presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, disse em comunicado que está especialmente preocupado com "as conseqüências que os combates têm na população civil" e fez uma chamada às partes para que "respeitem estritamente o tratado de paz assinado em 23 de janeiro em Goma".

O início do atual conflito na RDC se remonta a 1998, quando os rebeldes banyamulenges -tutsis de origem ruandesa- levantaram-se contra o Governo de Laurent Kabila, quem tinha chegado ao poder em meados de 1997, apoiado pelos próprios tutsis.

Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tivesse se acalmado depois que Nkunda e o atual presidente, Joseph Kabila, assinassem um acordo de paz, em 23 de janeiro.

Em 10 de outubro, porém, Kabila exortou publicamente os congoleses a se mobilizarem "para apoiar nossas tropas e nosso Governo e preservar assim a unidade e a paz de nosso país", enquanto Nkunda chamou os cidadãos a se levantarem "contra um Governo que traiu seu povo".

Mais de 5,4 milhões de pessoas morreram na RDC por causa do conflito, no qual os Governos de Kinshasa, Campala e Kigali se acusam mutuamente de apoiar os grupos rebeldes que atuam em seus países.

Em um relatório divulgado no início deste ano em Kinshasa, pouco após a assinatura do último tratado de paz, a organização humanitária International Rescue Committee assinalou que os conflitos e as crises humanitárias continuam causando uma média de 45 mil vítimas mortais a cada mês na RDC.

"Em termos de vítimas mortais, o conflito congolês e suas conseqüências ultrapassa qualquer outro desde a Segunda Guerra Mundial", indicava o documento.

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