Rebeldes afirmam que combaterão qualquer intervenção externa na RDC

Goma (RDC), 10 nov (EFE) - O Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), grupo que se enfrenta com o Governo da República Democrática do Congo (RDC), advertiu hoje de que seus militantes lutarão contra qualquer força de intervenção que tente combatê-lo.

EFE |

Uma cúpula extraordinária realizada este domingo em Johanesburgo pela Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) analisou o conflito no leste da RDC e anunciou ao fim da mesma que alguns de seus países-membros estão dispostos a enviar uma força de paz para ajudar a estabilizar a nação.

O secretário-executivo da SADC, Tomaz Salamao, disse na reunião que o grupo regional também "enviará conselheiros militares quando for necessário", para ajudar o Governo do presidente congolês, Joseph Kabila, e que, "se for necessário, enviará suas forças de paz".

O líder do CNDP, o general Laurent Nkunda, advertiu hoje a SADC de que se enviar tropas para apoiar o Governo em Kivu, epicentro do novo conflito que afeta o leste do país desde agosto, lutarão contra eles.

Nkunda ressaltou que os rebeldes admitiriam um contingente africano de paz se este atuasse como uma força imparcial para estabilizar a província de Kivu Norte.

O Congresso Nacional para a Defesa do Povo também tinha advertido na véspera de que qualquer decisão das autoridades de Kinshasa de aceitar ajuda militar de Angola, um dos países que apoiaram o Governo de Kabila durante a última guerra na RDC, "colocará em chamas a região dos Grandes Lagos".

"Isto demonstra a predisposição do Governo a envolver os antigos aliados na atual crise", ressaltou o porta-voz oficial do CNDP, Bertrand Bisimwa.

Hoje, o ministro de Comunicação congolês, Lambert Mende, culpou a comunidade internacional da crise no leste do país e dos danos sofridos por causa da presença de refugiados ruandeses em seu território.

"Os problemas que a RDC enfrenta no leste de seu território têm como origem a decisão da comunidade internacional de impor-lhe (na década de 1990) a presença de refugiados ruandeses", disse Lambert, em uma entrevista à "Radio Okapi", emissora auspiciada pela ONU.

Reparar os danos sofridos é, agora, uma contribuição em massa da comunidade internacional, segundo o funcionário governamental.

Lambert avaliou positivamente a viagem realizada na semana passada pelo primeiro-ministro Adolphe Muzito a Kivu Norte e afirmou que "o chefe do Governo foi amparado muito positivamente" pelas povoações locais.

A guerra de 1998 a 2003 na RDC envolveu outros seis países, todos integrantes da SADC: Angola, Zimbábue e Namíbia, que apoiavam o regime de Kinshasa, e Ruanda, Uganda e Burundi -este último de forma não oficial - respaldando o rebelde Agrupamento Congolês para a Democracia (ACD).

Após o armistício, a ACD se transformou em um partido político, com atual presença no Parlamento após eleições gerais, e suas milícias foram absorvidas pelo Exército como parte do processo de reconciliação nacional.

O atual conflito tem como protagonistas os mesmos atores locais, as antigas milícias da ACD que se integraram nas Forças Armadas da RDC, mas que só ficaram ao lado do Governo até 2004.

Nesse ano, voltaram a pegar em armas contra Kinshasa quando o Governo quis substituir Nkunda e outros comandantes da etnia tutsi congolesa, conhecidos também como banyamulenge, com militares de outras regiões da RDC.

Nkunda lidera cerca de quatro mil soldados, todos banyamulenges, e afirma que luta para evitar que a comunidade seja massacrada pelas tribos rivais e a milícia hutu interahamwe, acusada do genocídio de 1994 em Ruanda e que fugiu ao leste da RDC quando um regime tutsi assumiu o controle em Kigali, a capital ruandesa.

O Governo tem como aliadas as milícias locais mai-mai, que defendem seus territórios de outros grupos, e também as Forças Democráticas de Libertação de Ruanda (FDLR).

As FDLR estão compostas por antigos milicianos da interahamwe, que, junto com o Exército de Ruanda, executaram, em apenas 100 dias, entre 800 mil e um milhão de tutsis e membros moderados da própria etnia.

A Missão de Paz das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc), que tem mandato como força de interposição, não pode cumprir sua tarefa específica, pois deve velar primeiro pela segurança dos civis, milhares dos quais foram deslocados de suas casas pela violência.

As agências humanitárias que operam no Kivu Norte informaram hoje que não podem fornecer ajuda básica, comida e atendimento médico aos mais de 230 mil refugiados em acampamentos de emergência nos arredores da capital provincial, Goma, assediada pelos rebeldes, que detiveram seu avanço quando estavam a 12 quilômetros da cidade.

Porta-vozes da Médicos Sem Fronteiras (MSF) advertiram do perigo de que um surto de cólera nos acampamentos possa se transformar em epidemia, pela falta de água potável e pela contaminação pela falta de saneamento básico. EFE jo/db

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