Rebelde ameaça ampliar guerra no Congo se não houver diálogo

KIROLIRWE, República Democrática do Congo (Reuters) - O líder rebelde congolês Laurent Nkunda disse na terça-feira que levará sua guerrilha do leste do país para Kinshasa caso o governo não aceite iniciar negociações políticas com ele. Se eles se recusarem a negociar, vai significar que estão preparados para apenas lutar, e vamos lutar contra eles, porque temos de lutar por nossa liberdade, disse Nkunda no seu quartel-general, num morro da província de Kivu do Norte, no leste da República Democrática do Congo.

Reuters |

Em entrevista à Reuters, ele disse que sua próxima ofensiva não vai parar em Goma, a capital regional, e sim em Kinshasa, a capital nacional, a bem mais de 1.500 quilômetros a oeste.

Nkunda diz lutar em defesa da minoria étnica tutsi, mas também reivindica um melhor governo para o país inteiro. Na semana passada, ele suspendeu uma ofensiva contra Goma, que havia feito dezenas de milhares de civis fugirem de suas casas.

Vestindo boina verde e farda camuflada bege, e usando uma bengala coroada por uma cabeça de águia feita de prata, ele insistiu que o cessar-fogo em Kivu do Norte não será mantido se o presidente Joseph Kabila rejeitar o diálogo.

"Goma é só um lugar de passagem. Quando nos forçarem a descer para Goma, não vamos parar por lá. As pessoas devem ser sérias, do contrário não há volta", disse ele.

O governo congolês se recusa a negociar com Nkunda desde sua ofensiva mais recente, e acusa a vizinha Ruanda de apoiá-lo --algo que o governo ruandês nega.

A ONU lidera os esforços internacionais para que ocorra uma cúpula de paz entre Congo e Ruanda, e para resolver a emergência humanitária no leste do antigo Zaire, que tem ricas reservas de cobre, cobalto e ouro.

(Reportagem de Emmanuel Braun)

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