Reator 1 da usina de Fukushima será coberto com lâminas de poliéster

Objetivo é evitar que mais substâncias radioativas vazem do complexo nuclear japonês. Medida pode ser utilizada nos demais reatores

iG São Paulo |

Reuters
Máquina recolhe material radioativo no ar para amostra perto do reator 3 da usina nuclear de Fukushima, Japão (13/06)
A Tokyo Electric Power Company (Tepco), operadora da usina nuclear de Fukushima, começará neste mês a cobrir o edifício do reator 1 da central com lâminas de poliéster para tentar evitar que mais substâncias radioativas se dispersem.

A empresa planeja realizar a mesma operação nos edifícios das unidades 3 e 4, embora ainda não tenha datas específicas para isso, informa nesta quarta-feira a emissora japonesa NHK. Além de prevenir a propagação das substâncias radioativas, o plano também procura evitar que as precipitações alaguem ainda mais os recintos dos reatores 1, 3 e 4, gravemente danificados por explosões após o terremoto de 11 de março.

A Tepco anunciou que as lâminas, de aproximadamente um milímetro de espessura, serão acopladas à estrutura de aço do edifício do reator 1, de 54 metros de altura.

A previsão é que a operação seja finalizada no fim de setembro, segundo a NHK. Por outro lado, a Tepco informou que um novo sistema que começou a testar na terça-feira para descontaminar a água radioativa da usina parece funcionar com sucesso.

Após os primeiros testes, os técnicos comprovaram que o nível de césio 134 da água depois do tratamento era 2,9 mil vezes inferior, enquanto o de césio 137 tinha diminuído 3,3 mil vezes, indicou a emissora pública japonesa.

O sistema deverá ser iniciado na sexta-feira a fim de descontaminar as mais de 105 mil toneladas de água radioativa acumuladas nas instalações de Fukushima Daiichi. O tratamento da água representa um importante passo nos trabalhos para controlar a central, já que a elevada radioatividade do líquido impede a passagem dos trabalhadores a várias zonas. A Tepco espera poder levar os reatores de Fukushima ao estado de parada fria até janeiro de 2012.

Plano para reconstrução

O governo do Japão prepara um novo orçamento suplementar para a reconstrução e a ajuda às vítimas do desastre de 11 de março que pode chegar a 2 trilhões de ienes (US$ 24,845 bilhões), informou a agência local Kyodo.

Fontes parlamentares indicaram à Kyodo que o secretário-geral do governista Partido Democrático (PD), Katsuya Okada, transmitiu nesta quarta-feira a vários partidos da oposição a possível quantia desse orçamento, considerado primordial para a assistência às zonas assoladas pela catástrofe.

Em maio, o governo aprovou um primeiro orçamento extra de mais de 4 trilhões de ienes (US$ 49,69 bilhões) para a primeira fase da reconstrução após o terremoto, que além de deixar 23.210 mortos e desaparecidos, destruiu 70 mil casas e causou danos milionários.

Para custear o primeiro orçamento extra não houve emissão de nova dívida, mas o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, reconheceu que para esse segundo não haverá remédio se não recorrer à emissão de bônus. A previsão é de que o novo orçamento seja apresentado ao Parlamento (Dieta) no início do próximo mês, segundo a Kyodo, embora para sua aprovação se faça necessário o apoio da oposição.

A oposição e algumas vozes dentro do PD pedem a renúncia imediata de Naoto Kan, que no início de junho superou uma moção de censura graças à sua promessa de deixar o cargo uma vez encaminhada a solução para a crise, mas sem dar uma data concreta.

O primeiro orçamento extra ficou centrado na reconstrução de povoados e no reparo de infraestrutura, além de financiar a retirada das toneladas de escombros em Iwate, Miyagi e Fukushima, as três províncias mais afetadas pela tragédia.

Também houve verba para assistir as vítimas, promover a atividade empresarial e fomentar o uso de geradores de energia diante dos problemas na provisão elétrica causados pelo tsunami.

*Com EFE

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