A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou nesta sexta-feira que a reaproximação dos Estados Unidos com a Rússia não prejudica de forma alguma o apoio a outros aliados como países do Báltico e a Geórgia. Em Bruxelas, antes da reunião desta sexta-feira com o colega russo Sergei Lavrov em Genebra, Clinton disse à BBC que a Rússia não deveria ter poder de veto sobre a expansão da Otan, a aliança militar ocidental.

Ela também condenou a invasão da Rússia na Geórgia de agosto de 2008.

Um dos assuntos discutidos entre Hillary e Lavrov seriam os planos americanos de instalar um sistema de defesa antimísseis nos territórios da Polônia e da República Checa. A iniciativa não conta com a aprovação de Moscou.

"A defesa de mísseis é um elemento de nossa postura de defesa conjunta. Obviamente, será preciso provar que funciona e que tem uma boa relação custo-benefício para que seja instalado na República Checa e na Polônia. Mas o objetivo e formar parte de uma resposta defensiva frente ao Irã e a outros países que possam obter e determinar o uso de mísseis contra a Europa", disse.

"Acreditamos que a Rússia e os Estados Unidos têm a oportunidade de cooperar na defesa antimísseis, de fazer pesquisa e desenvolvimento conjuntos e, até mesmo, supondo que possamos chegar a tal acordo, o envio conjunto (de mísseis)", afirmou Clinton à BBC.

Na quinta-feira, a Otan aceitou retomar os contatos com a Rússia, especialmente no que diz respeito à cooperação em relação à missão da Otan no Afeganistão.

Clinton afirmou que esta foi uma decisão importante, que demonstra a vontade de mudar a maneira como os países ocidentais lidam com a Rússia.

"Vamos apertar o botão para reiniciar", disse Clinton ao editor da BBC para a Europa, Mark Madell. "Temos uma longa lista, dos dois lados, de questões nas quais vamos tentar buscar áreas de cooperação."
"Nossos esforços contra o terrorismo, nossos esforços em nome do controle de armas e da não proliferação", acrescentou. "Discutir áreas onde achamos que temos que nos entender melhor e tentar eliminar o atrito - energia, segurança, mudança climática."
Mesmo assim, Clinton afirmou que existem áreas nas quais os dois países discordam completamente, e os Estados Unidos não pretendem mudar de opinião.

"Não vamos reconhecer as zonas separatistas da Geórgia, não vamos reconhecer qualquer esfera de influência por parte da Rússia ou nenhuma possibilidade de eles terem algum poder de veto sobre quem pode se juntar à União Europeia ou à Otan", afirmou.

As relações entre Rússia e Estados Unidos se deterioraram nos últimos anos. Além de questões como o projeto de sistema antimísseis, outras questões também contribuíram para isso, como o papel da Rússia na guerra na Geórgia e o apoio americano para a entrada da Geórgia e da Ucrânia na Otan.

Mesmo discordando nestas questões, Clinton afirma que parte da culpa pela deterioração das relações entre Estados Unidos e Rússia é do governo do presidente George W. Bush.

"Havia uma abordagem ligada ao confronto em relação à Rússia no governo anterior", disse a secretária de Estado. "Acho que é uma questão legítima tentar saber o quanto isso contribuiu para o comportamento russo."
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov deve tratar de outros temas na reunião com Clinton, incluindo o desejo do governo russo de acelerar as negociações sobre controle de armas.

Um porta-voz do ministério do Exterior russo teria afirmado que a Rússia vê com "otimismo cauteloso" a reunião com Clinton.

De acordo com o correspondente da BBC em Moscou Rupert Wingfield-Hayes o clima agora é muito diferente do clima de meses atrás, quando a Rússia culpava os Estados Unidos por tudo, desde a crise financeira mundial até a guerra na Geórgia.

Segundo Wingfield-Hayes, a crise econômica prejudicou muito as finanças da Rússia e o país precisa de amigos e investimentos e não de uma nova guerra fria.

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