Realizado na França primeiro transplante mundial simultâneo de mãos e rosto

Cirurgiões franceses realizaram na noite de domingo o primeiro transplante mundial de mãos e rosto, em um homem de 30 anos, anunciou o hospital Henri Mondor de Créteil, próximo a Paris.

AFP |

A cirurgia, que mobilizou 40 profissionais e durou mais de 30 horas, foi feita em um homem gravemente queimado em um acidente ocorrido em 2004, afirma o comunicado do hospital.

Trata-se do sexto transplante de rosto no mundo, mas a primeira vez que é feita simultaneamente a cirurgia no rosto e mãos de um mesmo paciente.

O transplante do rosto foi conduzido pelo professor Laurent Lantieri e o mpedico Jean-Paul Meningaud (do Henri Mondor), e o das mãos pela equipe do cirurgião Christian Dumontier (do Hospital Saint-Antoine).

Lantieri já havia realizado com sucesso duas operações semelhantes, incluindo uma no fim do mês passado, em um homem de 28 anos que teve a maior parte do rosto desfigurada por um tiro de pistola.

Na outra cirurgia, feita em 2007, o paciente era um homem de 29 anos, identificado como Pascal, portador de uma rara doença genética chamada neurofibromatose, que tinha o rosto coberto por tumores benignos.

O primeiro transplante de rosto bem sucedido foi realizado em 2005, na França. A paciente era Isabelle Dinoire, uma mulher de 38 anos que teve o rosto desfigurado por um cachorro.

Na China, um homem submetido a um transplante facial em 2006 após ter sido atacado por um urso, morreu no ano passado. No entanto, não é possível saber se a causa da morte teve relação com a operação, já que o corpo não passou por uma autópsia antes de ser enterrado.

A cirurgia de transplante de rosto apresenta vários problemas, segundo especialistas médicos, já que o paciente precisa tomar remédios fortíssimos pelo resto da vida, para inibir o sistema imunológico e evitar a rejeição do tecido transplantado. O uso pesado de imunossupressorres, explicam, aumenta o risco de câncer.

O transplante de mãos já se tornou mais comum, com dezenas de cirurgias realizadas ao longo das últimas décadas; muito poucas não deram certo.

Nos dois casos, os principais nervos e veias que levam sangue aos tecidos transplantados são conectados em uma das mais delicadas etapas da operação, realizada com a ajuda de microscópios.

A microcirurgia é responsável por entre 5 e 10% dos riscos de fracasso do transplante, devido aos coágulos que podem se formar nas veias transferidas para o paciente nos primeiros dias depois da operação, segundo estudos realizados a respeito do tema.

Além disso, possíveis problemas psicológicos também são uma preocupação dos médicos. No caso do primeiro transplante de mão do mundo, o paciente, Clint Hallam, começou a implorar depois de um tempo para ter os membros transplantados amputados, pois não conseguia enxergá-los como seus.

mpf/cn/ap

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