Reação de escolas de elite a política de inclusão social gera polêmica na França

A reticência das escolas de ensino superior da França, onde são formadas suas elites, em abrir suas portas para estudantes de meios mais desfavorecidos, apesar do governo querer aumentar a quantidade de estudantes bolsistas para 30%, está provocando enorme polêmica no país.

AFP |

"Adotamos uma decisão voluntarista. O objetivo era de 30% de bolsistas em classes preparatórias. Alcançamos isto este ano e queremos ir mais longe", afirmou nesta quarta-feira o ministro francês da Educação, Luc Chatel.

As classes preparatórias formam os alunos que desejam entrar para uma "grande escola", ou seja, uma das universidades mais prestigiadas da França, que admitem seus alunos através de um concurso.

Entre essas "grandes escolas", que garantem uma formação de alto nível, estão as célebres Escola Politécnica, Escola Normal Superior e as escolas de Comércio HEC e ESSEC.

A polêmica começou depois que a Conferência das Grandes Escolas (CGE) indicou "desaprovar de maneira geral a noção de cotas", para em seguida lançar uma advertência sobre "a queda do nível médio" dos estudantes.

Richard Descoings, diretor da Sciences Po de Paris - única escola que desde 2001 abre suas portas para estudantes de meios desfavorecidos - disse que a reação da CGE foi "antisocial".

Na terça-feira, a ministra francesa da Educação Superior, Valerie Pecresse, respondeu à CGE. "Hoje em dia, não há abertura social suficiente na seleção das grandes escolas", afirmou.

O ministro Chatel, por sua vez, julgou "profundamente inconveniente" o vínculo feito pela CGE entre a abertura social e a queda do nível médio dos alunos.

Ao todo, 80.000 estudantes estavam matriculados em 2008 nas classes preparatórias para as "grandes escolas" francesas. Em 2009, o total de estudantes inscritos nas universidades públicas chegou a 1,4 milhão.

Cerca de 30% dos estudantes são filhos de executivos ou profissionais liberais que exercen atividade intelectual superior, enquanto 10,7% são filhos de operários, segundo o jornal francês La Croix.

Ainda de acordo com esta publicação, só a matrícula em uma escola de comércio, por exemplo, supera os 5.000 euros, enquanto o primeiro ano de estudos custa 8.500 euros.

A média de estudantes bolsistas nas escolas de engenharia francesas é de 22,9%, mas na Escola Politécnica este percentual é de apenas 11,03%.

bur-gc/ap

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