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Reação à renúncia disfarça erros de Marina, diz FT

A reação internacional de ambientalistas à renúncia da ministra do Meio Ambiente Marina Silva, na semana passada, disfarçou os fracassos da ministra na defesa da floresta amazônica, segundo reportagem publicada nesta segunda-feira pelo diário britânico Financial Times. Sua renúncia causou preocupação entre ambientalistas do mundo todo, diz o jornal.

BBC Brasil |

"É fácil entender porque. Silva tem uma poderosa personalidade e uma determinação direta que a ajudou a superar a pobreza, doença e analfabetismo em sua infância e adolescência no Estado amazônico do Acre."
"Ao chegar ao Ministério...ela mostrou determinação para enfrentar madeireiras e fazendeiros que desmataram 1 milhão de quilômetros quadrados na Amazônia em décadas recentes". E muitos acharam, segundo o jornal, que sua saída "abria o caminho para que a destruição continuasse impunemente".

Mas o FT aponta que Silva "foi notadamente mal sucedida em seu posto, perdendo batalha após batalha para os 'desenvolvimentistas' do governo de Luiz Inácio Lula da Silva e, mais recentemente, antagonizando fazendeiros e pecuaristas, muitos dos quais haviam começado a adotar práticas mais responsáveis", diz o jornal.

"A saída de Silva pode não precipitar o desastre previsto por muitos", diz o jornal.

O diário britânico cita fontes ambientalistas que consideram Marina Silva a melhor ministra do Meio Ambiente que já ocupou a pasta no Brasil. Entre suas conquistas estaria ter mudado o modo como o governo federal vê a questão do meio ambiente e o fato de que 11 ministérios hoje dividem a responsabilidade.

"Mas em termos de batalhas vencidas e perdidas - sobre a cultura de transgênicos, o terceiro reator nuclear do Brasil e muitos outros - Silva foi um fracasso. O mais prejudicial, talvez, será o antagonismo que ela criou sobre o que parece ser a piora no ritmo do desmatamento no sul da Amazônia, depois de três anos de melhorias substanciais."
O FT destaca que as medidas de punição defendidas por Marina Silva contra fazendeiros que estivessem desmatando para poder plantar irritaram, especialmente, o governador do Estado do Mato Grosso, Blairo Maggi, "um dos maiores produtores de soja do mundo e que nos últimos anos passou de vilão a quase herói do movimento ambientalista por sua liderança na moratória da soja, sob a qual comerciantes pararam de comprar a produção colhida em terras desmatadas recentemente".

"Silva se opôs a movimentos para ajudar os fazendeiros e pecuaristas a cumprir a lei, insistindo que eles deviam ser punidos. Muitos produtores disseram ter sido forçados à criminalidade por inconsistências legais e que sua (de Marina) linha dura vai minar iniciativas para encorajá-los a replantar em áreas sensíveis."
O FT destaca que o novo ministro, Carlos Minc, prometeu diminuir a burocracia na concessão de licenças para projetos de infra-estrutura na região, mas também prometeu maior rigor no processo e dar continuidade às políticas da ministra.

"Seu maior desafio será conseguir resultados com o mesmo sucesso que Silva obteve para aumentar a consciência sobre questões ambientais", conclui o diário.

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