Publicidade
Publicidade - Super banner
Mundo
enhanced by Google
 

RDC volta a mostrar a face mais dura da guerra em 2008

Kinshasa, 20 dez (EFE).- O leste da República Democrática do Congo (RDC) voltou a mostrar este ano a face mais dura da guerra, com o sofrimento de centenas de milhares de civis isolados por quatro meses no meio dos combates entre rebeldes tutsis e tropas governamentais.

EFE |

Em agosto passado, a guerrilha congolesa do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderada pelo general Laurent Nkunda, voltou a optar pelo caminho das armas para, segundo asseguram, defender os direitos da etnia tutsi, à qual pertencem.

Nkunda iniciou as hostilidades nas montanhas do extremo norte da região de Kivu, onde tem seu refúgio, e dois meses mais tarde, no final de outubro, em uma rápida ofensiva, ocupou a região de Rutshuru e a reserva de Virunda, sem encontrar qualquer resistência das forças governamentais.

Os rebeldes, melhor preparados e equipados que os soldados da RDC, chegaram às portas de Goma, capital da província de Kivu Norte (leste), onde no dia 29 de outubro declararam um cessar-fogo e exigiram negociações diretas com o regime do presidente Joseph Kabila.

As forças da Missão da ONU no Congo (Monuc), encarregadas especialmente de proteger a população civil, se viram superadas pelos rebeldes e mais de 250 mil pessoas tiveram de abandonar seus lares com o avanço insurgente, para se unir aos quase um milhão de deslocados que já havia em Kivu Norte.

A Monuc, maior missão de paz da ONU no mundo, com 17 mil soldados e que foi acusada de inoperância em diversos setores, se viu impotente para frear os guerrilheiros de Nkunda.

Os combates - que continuaram apesar do cessar-fogo - e as ações de militares, milícias locais e guerrilheiros deixaram isolados dezenas de milhares de novos deslocados, o que impediu as organizações humanitárias de prestar auxílio ou socorro e gerou o temor de mais um grande desastre humanitário.

Além disso, em quase todas as localidades de Kivu Norte foram detectados casos de cólera, que por causa da ausência de assistência médica poderia ter causado uma epidemia de grandes proporções.

A comunidade internacional interveio e pediu ao presidente Kabila e ao governante de Ruanda, Paul Kagame, que se unissem para pôr fim à instabilidade no leste da RDC.

Os regimes de Kabila e Kagame se acusam de sustentar as guerrilhas que lutam contra os dois países.

Nos primeiros dias de novembro, os ministros de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, e do Reino Unido, David Miliband, viajaram à região para tentar pôr fim às hostilidades e para criar um plano com o objetivo de organizar a ajuda aos deslocados.

Em 7 de novembro, Kagame e Kabila participaram em Nairóbi de uma cúpula promovida pela União Africana e a ONU. O encontro foi liderado pelo secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, que advertiu que o conflito poderia afetar toda a região centro-africana e dos Grandes Lagos.

No dia 14 de novembro ocorreu em Kigali uma reunião entre os ministros de Exteriores da RDC e de Ruanda, que concordaram em normalizar as relações diplomáticas e colaborar para desarmar as guerrilhas no leste congolês, gerando esperança para a estabilização da região.

No dia seguinte, a ONU designou o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo como enviado especial para o conflito, e ele se reuniu com vários líderes regionais, incluindo Kabila e Nkunda, os encorajando a conversar para encontrar uma solução negociada para o problema.

Em 20 de novembro, após diversos atrasos, o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou o envio de outros três mil "capacetes azuis" à Monuc, a fim de reforçar a proteção aos civis.

No entanto, as organizações humanitárias presentes na região pediram o envio de forças européias, que poderiam agir de maneira mais firme.

Por enquanto, o cessar-fogo se mantém de maneira instável no leste do Congo, mas as agências da ONU e organizações humanitárias conseguiram ter contato com os deslocados e organizar a ajuda, tanto alimentícia como sanitária, para evitar, por enquanto, uma catástrofe.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), 27 mil congoleses fugiram para Uganda desde agosto passado, porque não acreditam que os combates acabaram.

De qualquer maneira, somente a paz poderá acalmar a RDC, onde a ONU calcula que morreram por causa da violência 5,5 milhões de pessoas desde 1998, a grande maioria na guerra que terminou em 2003.

EFE jo/mh

Leia tudo sobre: iG

Notícias Relacionadas


Mais destaques

Destaques da home iG