Kinshasa, 12 nov (EFE).- O Exército da República Democrática do Congo (RDC) e os rebeldes tutsis trocaram acusações hoje sobre o rompimento do cessar-fogo que aconteceu na noite da última terça na região de Goma, capital da província oriental de Kivu Norte, onde acabaram os saques realizados por soldados nos últimos dias.

Os combates entre rebeldes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) e as Forças Armadas congolesas duraram quase uma hora e terminaram após as 20h locais (17h, horário de Brasília) de terça, disse à Agência Efe por telefone o porta-voz da Missão da ONU para o Congo (Monuc), tenente-coronel Jean-Paul Dietrich.

Dietrich disse que o Exército congolês e os rebeldes "se responsabilizam mutuamente pelo início dos combates e pela violação do cessar-fogo", declarado de forma unilateral pelo líder do CNDP, Laurent Nkunda, em 29 de outubro, quando suas forças estavam às portas de Goma.

Os combates tiveram como palco a zona de Kibati, cerca de 15 quilômetros ao norte de Goma, cidade de 500 mil habitantes, e que já foi abandonada por muitos deles, em temor à entrada dos guerrilheiros tutsis.

Até agora, nem a Monuc nem as partes em conflito forneceram informações sobre o número de mortos nos combates, após os quais os adversários mantêm suas posições anteriores.

O porta-voz da Monuc também disse que hoje acabaram os atos de violência e saques protagonizados na segunda e na terça por soldados governamentais "graças às medidas tomadas pelas próprias Forças Armadas da RDC para deter os responsáveis".

Os saques aconteceram em Kanyabayonga, Kaina e Kirumba, na província de Kivu Norte, cujo governador, Julien Paluku, confirmou por telefone à Efe o fim dos atos de violência.

Dezenas de milhares de deslocados pela violência vagueiam pelo leste do país sem poderem receber alimentos ou assistência médica, já que seus povoados e acampamentos estão ocupados ou foram destruídos por militares e grupos armados.

Desde a retomada dos confrontos no leste da RDC em agosto, cerca de 250 mil pessoas tiveram que abandonar suas casas na região.

Calcula-se que um quinto dos cerca de seis milhões de habitantes da província de Kivu Norte vivem deslocados e em uma situação desesperadora, agravada nas últimas semanas por causa das ameaças da fome e de uma possível epidemia de cólera. EFE py/ev/fal

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