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Raúl diz que entrada de Cuba no Grupo do Rio é reflexo de momento singular

Costa do Sauípe (Bahia), 16 dez (EFE).- O presidente de Cuba, Raúl Castro, comemorou hoje a entrada de seu país no Grupo do Rio, mecanismo de consulta política constituído em 1986, no Rio de Janeiro, dizendo que ela é um reflexo do momento singular que a América Latina e o Caribe vivem.

EFE |

"Não sei o que vocês pensam, mas para nós é um momento importantíssimo de nossa história", declarou Raúl ao tomar a palavra para agradecer aos que aprovaram o ingresso de seu país no fórum regional.

Com a adesão, formalizada em uma reunião na Costa do Sauípe, Cuba virou o 23º membro do Grupo do Rio, também integrado por: Brasil, Argentina, Belize, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai, Venezuela e a Comunidade do Caribe (Caricom), representada pela Jamaica.

Ao anunciar o ingresso da ilha, que já havia sido decidido em 13 de novembro, em uma reunião de nível ministerial na localidade mexicana de Zacatecas, o chefe de Estado do México e presidente rotativo do fórum regional, Felipe Calderón, declarou: "É um privilégio dar boas-vindas a Cuba como membro do Grupo do Rio nesta reunião".

Calderón disse ainda que "a presença deste país-irmão será muito valiosa para a construção de um destino comum com valores compartilhados".

Além disso, desejou que Cuba "aproveite a capacidade de convocação do Grupo do Rio para contribuir para os esforços de cooperação e troca de experiências" dentro dos diferentes mecanismos de colaboração regional.

"Em 20 anos, (o Grupo do Rio) se consolidou como interlocutor representativo da região junto a outros países e grupos de países", acrescentou o presidente mexicano.

Em resposta, Raúl, que fez sua estréia em cúpulas internacionais na posição de chefe de Estado cubano, disse que seu país "ingressa (no Grupo do Rio) com o propósito de fomentar a compreensão e a solidariedade" entre as nações da região.

"É um momento importantíssimo", repetiu, para em seguida contar que, momentos antes, havia comentado com seu chanceler, Felipe Pérez Roque, o quanto lamentava por seu irmão Fidel não ter podido acompanhar a formalização da adesão de Cuba ao grupo.

Segundo Raúl, seu país também entra no fórum regional "com o desejo de trabalhar a favor da justiça, da paz, do desenvolvimento e do entendimento entre todos os nossos povos".

Além disso, o chefe de Estado cubano declarou que, ao entrar no Grupo do Rio, Cuba o faz "compartilhando o apego mútuo ao direito internacional, à carta das Nações Unidas e aos princípios fundamentais que regem a relações entre as nações".

A inclusão da ilha no Grupo do Rio faz parte do processo de fortalecimento deste mecanismo de consulta, que tenta recuperar o protagonismo que teve há alguns anos, principalmente como mediador em conflitos regionais.

A reunião de hoje, realizada no âmbito da Cúpula da América Latina e do Caribe, teve como único fim a formalização da entrada de Cuba, que após décadas de isolamento começou a se reintegrar politicamente ao continente, apesar de ter sido expulsa da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 1962.

Raúl reiterou nesta terça-feira que seu país nunca voltará à OEA.

Além disso, citou o mártir da independência cubana José Martí ao dizer que, "primeiro o Mar do Norte se unirá ao Mar do Sul", depois "uma serpente nascerá de um ovo de águia".

O presidente de Cuba também rejeitou uma proposta do chefe de Estado boliviano, Evo Morales, para a criação de uma nova OEA com Cuba e sem os Estados Unidos.

"Nós não podemos, com americanos (EUA) ou sem americanos, ingressar na OEA. É uma sigla que deve desaparecer, essa é nossa opinião. Respeitamos a de vocês, que continuam pertencendo à OEA.

Nós pertencemos e continuaremos pertencendo ao Grupo do Rio", enfatizou. EFE joc/sc

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