Raúl convoca 1ª reunião do Congresso do Partido Comunista de Cuba em 12 anos

José Luis Paniagua Havana, 29 abr (EFE) - O presidente de Cuba, Raúl Castro, movimentou o Partido Comunista para que seu principal órgão, o Congresso, se reúna após 12 anos e lidere o final do período provisório no qual o país entrou com a doença de Fidel Castro, em julho de 2006.

EFE |

Após meses de especulações e com a idéia de que apenas o Partido Comunista de Cuba é "digno herdeiro" de Fidel, como repetiu reiteradas vezes Raúl, a data para o Congresso foi definida para o final de 2009.

A TV cubana transmitiu o discurso em que Raúl Castro determinou, além disso, a fusão do Governo e do Partido Comunista de Cuba, ao anunciar a criação de uma comissão do Escritório Político (órgão de direção) para tornar mais "operacionais e funcionais as decisões, e ao mesmo tempo permitir uma avaliação coletiva dos assuntos".

Os integrantes serão os mesmos da cúpula do Conselho de Estado.

Além de Raúl Castro, o primeiro vice-presidente, José Machado Ventura, e os vice-presidentes Juan Almeida, Abelardo Colomé Ibarra, Carlos Lage Dávila, Esteban Lazo Hernández e Julio Casas.

Será o primeiro órgão de direção do Partido Comunista de Cuba, desde sua criação em 1965, que não contará com Fidel.

No sexto plenário do Comitê Central também foram eleitos três novos membros para o Escritório Político.

O comandante da revolução e ministro de Informática, Ramiro Valdés, retorna à entidade após 22 anos, assim como o general Álvaro López Miera, e o secretário da Central dos Trabalhadores Cubanos (CTC, sindicato único), Salvador Valdés.

Além de revogar penas de morte de vários presos comuns, de colocar à frente do sistema educacional o vice-presidente José Ramón Fernández e de realizar rigorosa repreensão contra os Estados Unidos, Raúl Castro deixou claro alguns pontos dos objetivos da reunião.

"Os acordos que fizemos acaba com a etapa provisória iniciada em 31 de julho de 2006 com a proclamação do comandante-em-chefe, com a mensagem em que nos expressou sua vontade de ser apenas um soldado das idéias", declarou o presidente em sua primeira aparição oficial desde que assumiu a Presidência em 24 de fevereiro.

Em seus dois primeiros meses como presidente titular, o general Raúl Castro aplicou uma série de reformas econômicas e administrativas, como a liberalização da venda de telefones celulares e computadores, e aumentos de pensões e salários.

Também promoveu a reestruturação do setor agrícola e acabou com a proibição da entrada de cubanos em hotéis, porém tudo sem pronunciamentos oficiais.

Raúl adiantou que o congresso do Partido Comunista de Cuba, em 2009, "constituirá uma magnífica oportunidade para pensar coletivamente sobre as experiências dos anos da revolução no poder e um momento importante para definir, com projeções futuras, a política do partido nos diferentes âmbitos de nossa sociedade".

Fiel ao perfil mantido em quase dois anos de mandato - 19 meses como interino e dois como titular, Raúl disse que caso acreditem que tenham trabalhado "forte nestes últimos meses, terão que fazer muito mais nos que estão pela frente".

Raúl Castro afirmou que os acordos de ontem constituem um importante passo para "reforçar o papel do partido como vanguarda organizada da nação cubana", que segundo ele os "situará em melhores condições para enfrentar os desafios do futuro".

"E, como expressou o companheiro Fidel, para garantir a continuidade da revolução quando já não estiverem presentes seus líderes históricos", concluiu. EFE jlp/rr/fal

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