Raúl Castro vai à Venezuela em sua primeira viagem oficial

Por Esteban Israel HAVANA (Reuters) - O presidente cubano, Raúl Castro, embarca no sábado para a Venezuela, em sua primeira viagem oficial como chefe de Estado, dando ênfase à aliança estratégica de Havana com o governo de Hugo Chávez.

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Raúl assumiu o poder temporariamente em julho de 2006, devido à doença de seu irmão, Fidel. Em fevereiro deste ano, foi efetivado na presidência.

A Venezuela é o maior aliado, investidor e sócio comercial de Cuba, cuja economia ajuda a sustentar com o envio de 92 mil barris de petróleo por dia em condições preferenciais de financiamento.

Juntos, os aliados socialistas desafiam a influência dos Estados Unidos na região e promovem programas sociais nos rincões mais pobres da América Latina.

"Bem-vindo, presidente!", exclamou Chávez ao anunciar nesta semana que Raúl chegaria no sábado.

A agência estatal cubana Prensa Latina disse que funcionários dos dois países se reuniram na sexta-feira em Caracas para analisar 311 projetos de cooperação para 2009.

Na terça-feira, Raúl embarca de Caracas para o Brasil, onde participa da Cúpula América Latina-Caribe, organizada pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, outro aliado de Cuba.

"É claramente uma viagem importante para Raúl Castro (...). É a primeira vez que ele pode mostrar suas intenções no cenário mundial", disse Dan Erikson, especialista em Cuba da entidade Diálogo Interamericano, de Washington.

"Mostra, além disso, que as relações de Cuba e Venezuela podem sobreviver a Fidel.

Analistas e diplomatas estrangeiros em Havana acham que Raúl está diversificando seus sócios, mas que a Venezuela continua de longe sendo o mais importante.

Chávez promete também centenas de milhões de dólares em investimentos em Cuba, desde uma fábrica de seringas até novas refinarias.

Cuba paga parte da sua conta petrolífera com os serviços de mais de 30 mil médicos e enfermeiros enviados à Venezuela. Por causa da queda na cotação do petróleo, Caracas cogita reduzir seus investimentos no exterior.

"Raúl precisa assegurar que o petróleo continuará fluindo", disse o analista Frank Mora, da Escola Nacional de Guerra, de Washington. "Há aspectos da relação que vão querer reafirmar, como a sustentabilidade dos investimentos venezuelanos na indústria petroquímica de Cuba."

A viagem ao Brasil é igualmente relevante. Lula visitou Cuba duas vezes neste ano, deixando clara sua intenção de se tornar um sócio comercial importante e de exibir musculatura como potência regional.

Lula espera Raúl com ofertas de ajuda financeira para projetos industriais, de infra-estrutura e de energia. "O Brasil tem muito a oferecer e, além disso, é uma forma de diversificar as relações econômicas de Cuba", disse Mora.

Raúl recebeu no mês passado em Havana os presidentes da China e da Rússia, outros dois sócios cruciais.

(Reportagem adicional de Pat Markey em Havana)

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