Raúl Castro troca ministros diante da crise econômica

Havana, 3 mar (EFE).- As mudanças de ministros de Raúl Castro podem marcar um novo rumo na política de Cuba, em meio a expectativas pela crise econômica e pelas medidas da nova administração americana de Barack Obama sobre a ilha, opinam analistas e populares, com as poucas informações oficiais.

EFE |

Muitos cubanos e diplomatas analisam hoje com especial atenção a reforma ministerial que esperavam há meses e que foi significativa nas pastas de Economia e de Relações Exteriores, na busca de futuras políticas internas e internacionais.

Até agora só há um comunicado de 20 parágrafos, sem nenhuma explicação oficial adicional, nem declarações dos exonerados nem recém-empossados, sobre "por que" ou "para que" as mudanças.

Tudo está calmo nesta terça-feira em Havana, com pessoas que comentam, a maioria mal acreditando na longa lista de nomes do comunicado divulgado na segunda-feira por sites estatais na internet, além de emissoras de rádio e televisão, e publicado hoje pelos dois jornais oficiais da ilha.

Em um país onde os ministros costumam durar décadas em seus cargos, esta foi a maior reforma em uma década e meia, motivo pelo qual alguns analistas e diplomatas opinam que pode ser o verdadeiro começo do Governo do general Raúl Castro, com um gabinete reforçado com militares.

Porém, todos pedem mais tempo para ver em que medida marcará um novo rumo interior ou exterior esta mudança de gabinete, na qual ainda a maioria dos ministros ainda faz parte dos que já estavam com Fidel Castro antes de ele adoecer, em julho de 2006.

Também estão que pensam que o general Castro, com fama de pragmático e administrador durante sua chefia das Forças Armadas, procura mais eficiência da burocratizada administração pública, diante de uma crise mundial que agrava a velha miséria econômica cubana.

Há dúvidas também sobre os que vislumbram uma suposta disputa entre dirigentes "reformistas", entre os quais alguns citam Carlos Lage, com os chamados "talibãs" (fundamentalistas), supostamente liderados por Luiz Felipe Pérez Roque.

"O povo estava esperando uma reestruturação que havia sido adiada por muito tempo. Era esperado que ela acontecesse na assembleia (reunião do Parlamento de dezembro). O que acontece é que foi muito surpreendente, sem sinais prévios de seu alcance", disse à agência Efe Ray Hernández, contador de 32 anos.

"Era necessária, e o fato de que tenham mudado tanta gente mostra quão grande é o aparelho deste Governo e que era necessário torná-lo mais efetivo", acrescentou.

Hernández opinou que "algumas mudanças se podiam vislumbrar, ou ter uma ideia por alguns sinais, como é o caso de (o vice-presidente Carlos) Lage, que tinha menos nível, (...) mas o caso do chanceler (Perez Roque, destituído) ninguém entende a que obedece, a que dinâmica pode obedecer".

Lage deixa a secretaria executiva do Governo mas segue como vice-presidente do Conselho de Estado, motivo pelo qual analistas e diplomatas não têm certeza sobre se ele já perdeu todo o poder e se o resto será só questão de tempo.

Ernesto, havanês de 28 anos, também sente "surpresa" pela mudança do ministro de Relações Exteriores.

"Parecia o cara mais honesto do gabinete. Talvez cheguem outras notas, e talvez não cheguemos a saber o que aconteceu exatamente com Lage, Pérez Roque, etc. O Governo nestes casos não dá detalhes sobre o futuro das pessoas que substitui de seus cargos, e isso dá o que falar", acrescentou.

"Em particular, eu gostaria de mais transparência, e de saber por que substituem ministros que, até agora, pareciam perfeitos", explicou Ernesto.

Para dissidentes consultados pela Efe, falta tempo para avaliar que passou, se tudo é "mais do mesmo", como disse Martha Beatriz Roque, da Agenda para a Transição, ou se saíram fiéis ao ex-presidente e entraram "raulistas", como acredita o economista Oscar Espinosa Chepe.

Outros comentam que dificilmente pode se falar que houve uma imposição do "raulismo" sobre o "fidelismo" quando o atual presidente é o maior de todos os fiéis de seu convalescente irmão mais velho. EFE am/jp

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