Havana, 21 dez (EFE).- O presidente cubano, general Raúl Castro, encerrou neste domingo a segunda e última sessão da Assembleia Nacional em 2009 com um discurso que se centrou nas relações com os Estados Unidos e com os problemas e perspectivas da economia do país.

Após denunciar um aumento das políticas de Washington contra o regime cubano, Castro reiterou sua oferta de "diálogo respeitoso" com o Governo de Barack Obama e "a sincera vontade de Cuba de solucionar definitivamente a diferença" bilateral.

Ele ressaltou que, após um ano de mandato, o Governo Obama ignora as reivindicações dentro e fora de seu país por uma mudança de política em relação a Cuba, e disse que o "inimigo está tão ativo como sempre, e cresce o apoio à subversão aberta e encoberta contra Cuba".

Como exemplo, mencionou o caso de um americano que foi detido na ilha no dia 5 de dezembro, supostamente por ter distribuído computadores portáteis, celulares, e outros equipamentos tecnológicos, e sobre o qual o Governo cubano não tinha feito nenhuma menção oficial até agora.

A única informação sobre o caso foi fornecida esta semana pelo Departamento de Estado em Washington, que afirma ter pedido reiteradamente às autoridades cubanas que permita acesso consular ao detido, cujo nome não foi revelado.

Segundo Castro, esse cidadão americano foi denominado "eufemisticamente" pelos EUA como um "contratista" do Governo, e disse que se dedicava ao "abastecimento ilegal com sofisticados meios de comunicação via satélite grupos da 'sociedade civil' que aquele país quer formar contra o povo cubano".

A empobrecida economia da ilha foi outro dos temas da assembleia, ao advertir que 2010 será ainda mais um ano "difícil" e no qual não está disposto a correr riscos de "improvisação e apressamento" introduzindo mudanças.

"Tenho consciência das expectativas e honestas preocupações, expressadas pelos deputados e pelos cidadãos quanto à velocidade e profundidade das mudanças que temos que introduzir no funcionamento da economia, em prol do fortalecimento de nossa sociedade socialista", afirmou.

Raúl disse que a produção de alimentos e o emprego serão algumas das principais diretrizes de seu Governo em 2010, e anunciou que no fechamento deste ano foram reduzidas em mais de um terço as retenções de pagamentos aos parceiros comerciais da ilha.

Ele assegurou que continuarão sendo pagos "até o último centavo os compromissos assumidos", ao quais contribuirão negociações em curso para reprogramar o pagamento da dívida com os credores.

O presidente cubano se referiu também à intenção de seu Governo de "elevar a representatividade da composição étnica e de gênero" da população cubana nos cargos de direção.

Na sua opinião, é "uma vergonha o insuficiente avanço nesta matéria em 50 anos de revolução" e prometeu exercer toda sua influência para suprimir esses "preconceitos nocivos" contra mulheres e negros.

A Assembleia Nacional, que se reúne dois dias ao ano, teve este domingo sua segunda sessão plenária centrada em relatórios sobre a economia cubana, que só cresceu 1,4% em 2009, em vez de 6% previsto, enquanto se espera um "discreto" 1,9% para 2010.

A Assembleia também nomeou o ministro de Informática e Comunicações, o "comandante da revolução" Ramiro Valdés, e a contralora-geral, Gladys Bejerano, vice-presidentes do Conselho de Estado, máxima instância de Governo do país, presidida por Castro.

EFE arj-rmo/ma

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