Raúl Castro reafirma vocação de Cuba ao socialismo

O presidente Raúl Castro admitiu que o novo governo dos Estados Unidos, dirigido por Barack Obama, é menos agressivo, mas garantiu que Cuba não caminha para voltar ao capitalismo e que manterá sua vocação socialista.

AFP |

Castro, que discursou na noite de sábado, no encerramento de uma sessão do Congresso em Havana, disse que é necessário responder à secretária americana de Estado, Hillary Clinton, e à União Européia quando "nos exigem gestos unilaterais na direção de desmontar nosso regime político e social".

"Não fui eleito presidente para restaurar o capitalismo em Cuba ou para entregar a Revolução. Fui eleito para defender, manter e continuar aperfeiçoando o socialismo, e não para destrui-lo".

Raúl Castro admitiu que Cuba caminha para um socialismo racional, para o qual será preciso desenhar um novo modelo econômico, fortalecer o partido único e as instituições, e não fazer concessões a Estados Unidos ou à União Européia (UE).

O presidente prometeu um modelo econômico que traga benefícios aos cubanos e assegure, de modo "irreversível", o socialismo e a independência de Cuba.

"Estamos observando, com atenção, a atitude do novo governo dos Estados Unidos" e "o essencial é que o bloqueio (embargo) permanece intacto e em completa aplicação", já que "persiste a inclusão de Cuba na lista dos Estados promotores do terrorismo".

"As positivas, apesar de mínimas medidas anunciadas" por Obama em abril sobre a liberação de viagens e o envio de dinheiro de cubanos-americanos, "até o momento não foram implementadas", destacou o líder cubano.

"É certo que houve uma redução da agressividade e da retórica contra Cuba" por parte de Washington e que, após seis anos de suspensão, "foram retomadas, no dia 14 de julho, as conversações" bilaterais "sobre o tema migratório, que se desenvolvem de forma série e construtiva", admitiu Castro.

"Aproveito esta ocasião para reafirmar a disposição de Cuba em manter com os Estados Unidos um diálogo respeitoso, mas entre iguais". "Estamos prontos para conversar sobre tudo (...) mas não negociaremos nosso sistema político e social".

"Temos reafirmado a disposição de solucionar as divergências com os Estados Unidos", que persistem por quase meio século, mas "encaramos este assunto com absoluta serenidade e sem pressa alguma".

"Foi anunciado o fechamento da prisão americana de Guantánamo (Cuba), mas "este assunto não deve terminar aí. Não renunciamos e nem renunciaremos jamais à devolução incondicional deste pedaço do território nacional".

rd/LR

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