Raúl Castro ratifica limite de dez anos para cargos públicos

Medida será aplicada paulatinamente em Cuba e não exigirá emenda na Constituição; o presidente também defendeu o sistema de partido único

iG São Paulo |

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O presidente cubano, Raúl Castro(23/12)
O presidente de Cuba e primeiro-secretário do Partido Comunista, Raúl Castro, ratificou neste domingo a decisão de limitar a dez anos consecutivos o mandato dos principais cargos políticos e estatais, medida que será aplicada paulatinamente e sem a necessidade de fazer uma emenda a Constituição.

"Uma vez definida e estipulada a política pelas instâncias pertinentes, poderemos iniciar a aplicação paulatina sem esperar pela reforma constitucional", declarou Raúl Castro em seu discurso de encerramento da 1ª Conferência Nacional do Partido Comunista de Cuba.

Ele também fez uma firme defesa do sistema de partido único da ilha frente "ao jogo da demagogia e da mercantilização da política".

"Renunciar ao princípio de um partido só equivaleria simplesmente a legalizar a partida e os jogos do imperialismo em solo pátrio e sacrificar a arma estratégica da unidade dos cubanos", afirmou o também primeiro-secretário do Partido Comunista de Cuba.

Conferência e Mudanças

A conferência é considerada a continuação do Congresso Nacional do Partido Comunista, realizado no último ano. Na ocasião, o atual líder cubano, Raúl Castro, defendeu que as mudanças na ilha estão condicionadas a mudanças no partido.

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Embora os automóveis antigos e os edifícios deteriorados de Havana deem a impressão de que Cuba tenha parado no tempo, o regime tem impulsionado mudanças, ainda que vagarosas, nos últimos tempos.
Os cubanos agora são livres para vender e comprar propriedades, abrir pequenos negócios e até empregar outros cubanos - resoluções impensáveis há poucos anos.

O Estado também prepara a demissão de milhares de funcionários públicos, enquanto incentiva a abertura de negócios privados.

O regime também libertou dezenas de presos políticos, após negociações intermediadas pela Igreja Católica local e o governo da Espanha.

O opositor Oscar Espinoza Chepe não acredita, no entanto, em mudanças significativas no comando do partido. “Sou pouco otimista”, diz. “Para se transformar, o partido deveria começar reconhecendo os erros que cometeu”, argumenta.

“Mas quando você olha os documentos se dá conta de que é o mais do mesmo, que são apenas mudanças cosméticas”, diz.

AP
Carro clássico americano passa em frente de escritório onde se vê bandeira cubana em Havana

* Com EFE e BBC

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