Raúl Castro preside principal festa cubana

Santiago de Cuba - O general Raúl Castro preside este sábado a maior festa de Cuba - o aniversário do assalto ao quartel Moncada - pela primeira vez como chefe de Estado titular e dois anos após seu irmão Fidel aparecer pela última vez em público, durante a mesma celebração.

EFE |

Os festejos acontecem este ano em Santiago de Cuba, no sudeste da ilha, no meio da semana do carnaval e entre expectativas por possíveis anúncios de Raúl Castro sobre o futuro do país.

A imprensa oficial informou hoje que cerca de dez mil pessoas assistirão ao ato, convocado para as 19h (20h, em Brasília), além da cúpula do Governo e do Partido Comunista (PCC), que será retransmitido pelas cadeias nacionais de rádio e televisão.

O general já presidiu em 2007 os atos do 26 de julho, mas então como chefe de Estado interino, e naquela ocasião admitiu que Cuba necessitava de mudanças estruturais.

Nos últimos meses o país suspendeu proibições à venda de computadores, telefones celulares, motocicletas elétricas, panelas elétricas de arroz, televisores, entre outros artigos. Além disso, agora também é permitido que os cubanos se hospedem nos hotéis antes reservados aos turistas estrangeiros.

As principais mudanças se referem ao campo. Elas têm como objetivo revitalizar a produção agropecuária em uma ilha que tem mais de 50% de suas terras cultiváveis ociosas.

Cuba gastará este ano cerca de US$ 2 bilhões na importação de alimentos, o que representam mais de 80% do que o país entrega à população a preços subvencionados como parte da cesta básica.

Terras abandonadas ou subaproveitadas serão entregues aos camponeses particulares. Já as cooperativas terão facilitados abonos e ferramentas, mas sem renunciar à grande empresa estatal, pois todas as reformas são realizadas para fortalecer o socialismo, diz Raúl Castro.

Muitos cubanos esperam por outras reformas que aliviem sua falta de alimento e transporte, que lhes permitam viajar livremente, comprar veículos e imóveis, ou aumente seu poder aquisitivo.

A maior parte da população de Santiago de Cuba consultada pela Agência Efe, incluídos muitos que se declaram orgulhosamente revolucionários, esperam que haja mais reformas e liberalizações.

No entanto, Raúl Castro, em suas últimas mensagens à nação, esfriou as expectativas e pediu a seus compatriotas que façam mais sacrifícios, que trabalhem e produzam mais, pois os desafios de Cuba são "grandes e difíceis".

O general de 77 anos reiterou que é necessário que a população seja realista, pois a situação mundial, com grandes aumentos nos preços dos alimentos e dos combustíveis, o impede de ir mais rápido com suas prometidas reformas.

Fidel Castro, de 81 anos e que sofre uma doença intestinal que o fez passar por diversas intervenções cirúrgicas, renunciou no dia 19 de fevereiro à Presidência e ao comando militar de Cuba após 49 anos e 55 dias no poder. Seu irmão mais novo foi escolhido para sucedê-lo cinco dias mais tarde.

Entretanto, Raúl Castro já tem as rédeas de Cuba há dois anos, pois o estado de saúde de seu irmão o impede de governar desde 26 de julho de 2006.

O ato principal da comemoração desta noite acontecerá diante de Moncada (que antes era uma prisão e agora é uma instituição educacional), onde foram colocadas milhares de cadeiras e grandes cartazes.

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