Raúl Castro presente no enterro de vice-presidente cubano

O presidente de Cuba, Raúl Castro, encabeçou nesta terça-feira o enterro do comandante histórico da revolução e vice-presidente Juan Almeida, em um mausoléu nas montanhas de Sierra Maestra, sudoeste da ilha, onde os dois lutaram juntos.

AFP |

Almeida foi sepultado por sua família, amigos mais íntimos e companheiros de política no Mausoléu da III Frente Oriental, que fundou e dirigiu até o triunfo da revolução em 1959, em Sierra Maestra. Seu último desejo era ser enterrado nesse local.

O caixão, coberto por uma bandeira de Cuba, percorreu antes as ruas da cidade de Santiago de Cuba.

Almeida, número três do país, faleceu na sexta-feira pasada aos 82 anos vítima de uma parada cardiorrespiratória.

Nascido em 17 de fevereiro de 1927, Juan Almeida acompanhou fielmente os irmãos Fidel e Raúl Castro durante mais de meio século de revolução, marcando presença da população negra e de caráter popular no mais reduzido círculo de poder num momento de forte racismo e de uma tradição de generais e doutores nos governos anteriores.

Pouco depois do golpe de Estado que em 10 de março de 1952 instalou a ditadura de Fulgencio Batista, Almeida, então um pedreiro de 25 anos, conheceu o advogado Fidel em uma reunião organizada para preparar a luta.

Atirador hábil, estava junto a Fidel Castro no frustrado assalto ao quartel Moncada em 1953, na prisão, no exílio no México e na expedição do iate Granma (1956) para lutar na Sierra Maestra.

Principal assessor de Fidel na guerrilha, foi o terceiro - depois do argentino Ernesto Che Guevara e de Raúl Castro - a quem o líder revolucionário entregou os graus de comandante rebelde.

Desde que foi criada em 1993, presidia a Associação de Combatentes da Revolução Cubana (veteranos de guerra), se graduou em 1996 na Academia Superior Militar de Cuba e, dois anos depois, foi declarado "héroi da nação".

Teve nove filhos de três casamentos. Sua primogênita, Beatriz, vive nos Estados Unidos desde 2005, e um dos rapazes, Juan Juan Almeida García, foi detido em maio passado quando tentava imigrar ilegalmente para Miami para se reunir com sua esposa.

Almeida também era músico e escritor e dedicou várias de suas obras ao tema da revolução.

rd/cn

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