Raul Castro mantém repressão de Fidel em Cuba, diz ONG

Um relatório divulgado nesta quarta-feira pela organização de direitos humanos Human Rights Watch (HRW) sugere que a repressão e a violação dos direitos humanos foi mantida em Cuba pelo governo de Raúl Castro. O documento, intitulado New Castro, Same Cuba (Novo Castro, Mesma Cuba), é resultado de 60 entrevistas feitas em campo e mais de 40 casos registrados de prisões por periculosidade social.

BBC Brasil |

Esse tipo de detenção - prevista no Código Penal do país - prevê que o governo pode prender indivíduos antes que cometam algum crime, na suspeita de que possam vir a cometer uma ofensa no futuro.

Segundo a ONG, a definição de "perigo", no entanto, seria política e classificaria "qualquer comportamento que contradiga as normas socialistas de Cuba".

"Os cubanos que ousam criticar o governo vivem em medo permanente, sabendo que podem acabar na prisão por meramente expressarem suas opiniões", disse José Miguel Vivanco, diretor para as Américas da HRW.

Segundo o relatório, além das prisões sem acusações, as condições carcerárias dos presos políticos também infringem os direitos humanos.

O documento cita diversos casos de detentos que sofreram abusos violentos nas prisões, além de extenso confinamento solitário.

De acordo com Vivanco, "em três anos no poder, Raúl Castro tem sido tão brutal quanto seu irmão".

Fidel Castro passou o poder para o seu irmão Raúl, primeiro interinamente em 2006 e depois de maneita permanente em fevereiro de 2008.

EUA
O relatório cita ainda os esforços do governo dos Estados Unidos para pressionar por uma mudança no cenário cubano, em especial o embargo.

Mas afirma que o embargo não colaborou para uma melhoria da situação dos direitos humanos no país e teria "isolado os Estados Unidos e alienado aliados em potencial nessa questão".

"Apesar da nova liderança em Havana e Washington, Cuba continua a pressionar os dissidentes, enquanto os EUA persegue a mesma política fracassada do embargo", afirmou Vivanco.

O documento recomenda que o governo do presidente Barack Obama buscar uma aliança com a União Europeia, América Latina e Canadá para pressionar Cuba a libertar todos os prisioneiros políticos em seis meses.

Uma vez que isso seja realizado, os EUA devem eliminar o embargo contra o país.

"Acreditamos que o embargo perpetuou a repressão e o regime em Cuba. Acreditamos que a única forma de alcançar melhorias em Cuba é a pressão internacional, mas multilateral, ajustada", disse Vivanco à BBC Mundo.

Caso o governo de Raúl Castro não cumpra com o compromisso de libertar os presos, os membros da aliança deveriam impor sanções contra a ilha, recomenda o relatório.

"Essas medidas devem ser significativas o suficiente para causar impacto no governo cubano e ser cuidadosas para não impor sofrimento ao povo cubano como um todo", afirma o texto.

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