HAVANA (Reuters) - Uma delegação parlamentar norte-americana reuniu-se na segunda-feira em Havana com o presidente cubano, Raúl Castro, no primeiro contato com autoridades dos EUA desde que foi efetivado no cargo, em fevereiro de 2008. O encontro pode ser um sinal de degelo nas relações bilaterais. Raúl recebeu seis deputados democratas que chegaram a Cuba na semana passada para buscar formas de melhorar as relações bilaterais, após quase cinco décadas de rompimento.

A TV estatal mostrou Raúl, vestindo terno, sentando-se com a delegação para uma conversa. Não foram revelados detalhes do encontro.

A deputada Barbara Lee, chefe da delegação, disse que o grupo não levou uma mensagem do presidente Barack Obama, e que sua única missão era "ouvir e conversar" com os cubanos.

Em artigo publicado no domingo, o antecessor e irmão de Raúl, Fidel Castro, disse que Cuba não teme o diálogo nos EUA. Em outro texto, na segunda-feira, descreveu o grupo visitante como "uma importante delegação política".

Não se sabe se Fidel recebeu os parlamentares, mas o ex-presidente escreveu que um dos seus membros disse ser "necessário usar este momento em que há um presidente negro na Casa Branca e uma opinião favorável à normalização das relações".

Todos os seis deputados que viajaram a Cuba são negros, assim como grande parte da população cubana.

Durante sua campanha eleitoral, Obama prometeu atenuar o embargo econômico contra Cuba, em vigor há 47 anos, e mostrou-se disposto a dialogar com os líderes cubanos. Ele diz, no entanto, que o embargo só será completamente suspenso quando a ilha se democratizar.

Há grande expectativa de que em breve o governo Obama irá suspender restrições contra viagens de imigrantes cubanos à ilha e remessas de dinheiro para familiares. É possível que isso ocorra ainda antes de Obama participar, no dia 17 de abril, da Cúpula das Américas em Trinidad e Tobago.

Tramitam no Congresso projetos que suspendem a proibição geral de viagens de norte-americanos a Cuba.

(Reportagem de Marc Frank)

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