Raúl Castro e Medvedev participam de caçada perto de Moscou para reacender amizade

Os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e de Cuba, Raúl Castro, se encontraram nesta quinta-feira para uma caçada em Zavidovo, perto de Moscou, um ato que se inscreve no desejo de estimular as relações entre os dois países, grandes aliados na época da Guerra Fria.

AFP |

A viagem, a primeira de um número um cubano à Rússia em mais de 20 anos, tem como objetivo relançar o comércio bilateral, que movimentou, segundo dirigentes russos, 239 milhões de dólares nos 11 primeiros meses de 2008.

Os dois chefes de Estado participam hoje de reunião de trabalho na residência presidencial de Zavidovo, onde são recebidos os convidados mais importantes.

"Estou feliz em vê-lo não somente na Rússia, mas nesta floresta, que você já conheceu", declarou Medvedev no início do encontro com Raúl Castro.

"Estamos muito contentes com sua visita, quase 25 anos depois (da última viagem de um líder cubano à Rússia), e espero que ela permita dar todos os resultados necessários", acrescentou.

"Nessa quinta-feira, mantemos um diálogo informal caminhando na floresta, como previsto. Amanhã (sexta-feira), manteremos uma reunião oficial" no Kremlin, prosseguiu o presidente russo.

"Lembro-me de que no momento dos furacões (em Cuba em 2008) você me ligou, e eu disse que estava sentindo muita saudade da floresta russa", acrescentou o líder cubano.

Raúl Castro afirmou em entrevista que sua longa visita, até o dia 4 de fevereiro, contribuirá para dar novo impulso às relações bilaterais, depois da distância que se instalou entre os dois países após a queda da União Soviética, com a qual Cuba mantinha um vínculo privilegiado.

"Como muitos outros, consideramos o renascimento da Rússia um fator positivo", disse o dirigente cubano à agência russa ItarTass.

O embaixador de Cuba em Moscou, Juan Valdes Figueroa, qualificou a visita de "histórica", e ressaltou que Raúl Castro e Medvevdev se encontravam "como dois irmãos", segundo o jornal Kommersant.

Fidel Castro viajou à União Soviética em 1987 por ocasião do 70º aniversário da Revolução de Outubro.

Moscou teve o cuidado de ressaltar que sua reaproximação com a ilha do Caribe "não constitui, de nenhuma forma, um ataque a países terceiros", em alusão aos Estados Unidos.

Líderes políticos, empresários e dignitários religiosos russos viajaram a Havana nos últimos meses. Medvedev fez o mesmo em novembro passado, na primeira visita de um presidente russo a Cuba em oito anos.

Os dois países também pretendem dar prosseguimento à cooperação em matéria de defesa. Muitos equipamentos do Exército de Cuba provêm da extinta União Soviética.

Além disso, a Rússia decidiu em 2006 congelar a dívida cubana de mais de 20 bilhões de dólares, contraída na época soviética.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, frisou na semana passada que seu país, o décimo maior parceiro comercial da ilha, poderia conceder um novo crédito de 20 milhões de dólares para a compra de produtos russos.

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