Raúl Castro diz no Parlamento que Cuba não admite pressões externas

Havana, 11 jul (EFE).- Pela primeira vez desde que tomou posse, o presidente de Cuba, Raúl Castro, esteve hoje no Parlamento da ilha para defender as linhas econômicas em que seu Governo trabalha e assegurar que o país jamais tomará uma decisão sob pressão ou chantagem externa.

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"Embora aqui ninguém tenha pedido a opinião de ninguém, reitero que jamais tomaremos uma decisão, a menor que seja, sob pressão ou chantagem, venham elas de onde vierem, de um país poderoso ou de um continente inteiro", disse Raúl, que, em vez de seu tradicional uniforme de general, vestia uma guayabera (camisa típica da região do caribe) branca.

O irmão e sucessor de Fidel também declarou que, desde que assumiu o poder, em 24 de fevereiro, todas as vezes em que seu Governo aprovou uma medida, logo "em seguida um funcionário do Governo dos Estados Unidos, de um porta-voz até o presidente", veio a público classificá-la como "insuficiente ou superficial".

"É ilusão achar que um povo que resistiu a atos terroristas, a uma guerra econômica e a agressões de todo tipo durante 50 anos vai renunciar a conquistas resultantes de enormes sacrifícios, só para satisfazer determinados círculos de poder dos Estados Unidos", acrescentou.

Embora o Parlamento tenha aprovado hoje uma declaração condenando a diretiva para a deportação de imigrantes ilegais aprovada recentemente pela União Européia (UE), Raúl não fez nenhuma menção à suspensão definitiva das sanções diplomáticas que o bloco havia imposto à ilha em 2003, após a prisão de 75 dissidentes.

Com a poltrona que Fidel geralmente usava vazia, o atual chefe de Estado de Cuba falou de salários e da intenção de seu Governo de aumentá-los "de maneira gradual e segundo prioridades".

O governante evitou dar datas e especificar quais serão os primeiros setores beneficiados, pois, segundo disse, "não seria ético criar falsas expectativas". Além disso, destacou que "O socialismo significa justiça social e igualdade, mas igualdade de direitos, de oportunidades, não de renda".

"Igualdade não é igualitarismo", acrescentou, ratificando em seguida a recente aprovação de uma resolução para que os salários em Cuba - de 408 pesos (US$ 17), em média - sejam calculados em função do que é produzido e da qualidade dos serviços, e não de forma generalizada.

Raúl também falou da necessidade de "um adequado sistema de impostos e contribuições", frisou que é preciso "virar a terra" de Cuba para fazê-la produzir e anunciou que, em uma "data próxima", o Governo começará a entregar terras ociosas em usufruto a quem produz.

"(A entrega das terras vai começar) Em uma data muito próxima, tão próxima que pode ser na próxima semana (...). Pode-se dizer que ontem à noite (a redistribuição das terras) já foi aprovada em uma reunião do Birô Político com o Conselho de Estado e outros convidados", disse o presidente cubano no Parlamento.

O chefe de Estado também assegurou que a realidade atual torna necessário reformar a lei de Seguridade Social vigente, razão pela qual o cálculo das pensões será modificado e a idade mínima para a aposentadoria vai subir de 55 para 60 anos, no caso das mulheres, e de 60 para 65, no caso dos homens.

Durante o discurso de Raúl, não foram anunciadas grandes novidades, mas o presidente lançou uma mensagem otimista: "Produziremos alimentos, preservaremos as principais conquistas da revolução e continuaremos progredindo, sem descuidar um minuto da defesa".

Antes de encerrar o pronunciamento, o presidente afirmou que mostrou seu discurso a Fidel, que teria lhe dito: "Está perfeito".

EFE jlp/sc

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