Raúl Castro completa 2 meses de poder em Cuba em meio a reformas e silêncio

José Luis Paniagua Havana, 23 abr (EFE).- Raúl Castro completa nesta quinta-feira dois meses como presidente de Cuba.

EFE |

Nesse período, Raúl se dedicou a eliminar algumas proibições impopulares, a aplicar conceitos econômicos diferentes e a deixar claro seu continuísmo na área política com relação ao Governo de seu irmão e antecessor Fidel Castro.

Fiel ao estilo que caracterizou seus 19 meses como presidente interino, quando motivos de doença obrigaram Fidel a delegar seus cargos em 31 de julho de 2006, Raúl fez do silêncio uma forma de Governo e pôs fim a uma era de longos discursos.

Mas nem por isso o atual governante deixou de expressar suas opiniões e de tomar medidas duras.

Nesta terça, por exemplo, explicou a destituição do ministro da Educação, Luis Ignacio Gómez, que já havia sido anunciada em uma habitual nota breve que costuma ser publicada no diário oficial "Granma" em ocasiões do tipo.

Em artigo publicado hoje, Fidel afirmou que apóia "decididamente" que Gómez tenha sido destituído do cargo porque "perdeu energia e consciência revolucionária", apontando que talvez tenha participado ativamente da decisão.

"Apóio decididamente a decisão do Partido (Comunista) e do Conselho de Estado de substituir o ministro da Educação", disse o ex-líder, em artigo publicado pela imprensa local.

Gómez "estava realmente esgotado. Tinha perdido energia e consciência revolucionária. Ele não devia ter feito seus últimos discursos e ter falado de futuros encontros de educadores do mundo, exaltando uma obra que foi fruto genuíno de numerosos quadros revolucionários e não pessoal".

Como contraste, e salvo declarações pontuais, Raúl não ganhou fama em atos públicos, e as explicações para essa política devem ser buscadas em seu discurso de posse, efetuado em 24 de fevereiro, quando prometeu acabar com o "excesso de proibições" que há em Cuba, começando pelas "mais simples".

Em silêncio foram chegando medidas importantes, como a suspensão das restrições à compra de eletrodomésticos como aparelhos de DVD ou computadores e a abolição da proibição aos cubanos de se hospedarem em hotéis.

A autorização para a liberação de linhas de telefonia celular entre os cubanos foi divulgada, por exemplo, mediante um comunicado da estatal Empresa de Telecomunicações de Cuba S.A. (Etecsa), e as reformas promovidas no setor agrícola foram divulgadas por meio da Associação Nacional de Pequenos Agricultores (Anap).

Com suas atenções voltadas quase que exclusivamente para a formulação de respostas aos problemas econômicos do país, Raúl fez do setor agrário um alvo de revisão estrutural e conceitual, e do centralismo e da burocracia suas primeiras vítimas.

Apoiando suas reformas no campo na entrega de terras para cooperativas e cidadãos, na descentralização, no aumento de preços a produtores e em um plano de desenvolvimento agrícola para entregar provisões, o presidente tenta reanimar o setor para conseguir reduzir a grande dependência externa com relação a alimentos.

A importadora estatal de alimentos Alimport anunciou esta semana compras de mais de US$ 1,9 bilhão para 2008, valor cerca de 20% maior que o gasto no ano passado.

Analistas consultados pela Agência Efe declararam que Raúl Castro deu início a "reformas para evitar a futura queda do regime".

Um deles ressaltou que, embora alguns possam considerar pouco eficiente a suspensão de proibições pontuais, tais medidas são uma forma de "ganhar tempo para poder a preparação das reais".

"Estamos vendo um modelo que se ajusta ou reforma lentamente, em meio a um esquema de poder único, com características próprias de Cuba", acrescentou outro observador.

No entanto, em algumas áreas como a repressão a protestos e a críticas, tudo parece igual.

Cuba qualificou de "provocação contra-revolucionária" o protesto que a organização Damas de Branco tentou realizar nesta segunda-feira em uma praça da capital cubana para exigir a libertação de presos políticos.

Agentes da Polícia, do Ministério do Interior e outros à paisana retiraram à força, de um parque anexo à Praça da Revolução, cerca de 12 Damas de Branco, parentes dos 75 dissidentes condenados em 2003 a penas de até 28 anos de prisão. Elas foram levadas para casa dentro de um ônibus.

Em comunicado lido no noticiário da televisão cubana sob o título "fracassa provocação contra-revolucionária", as autoridades disseram que um "reduzido número de elementos mercenários tentou realizar uma provocação grosseira e descarada". EFE jlp/fr

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