O presidente de Cuba, Raúl Castro, anunciou nesta segunda-feira mudanças substanciais na cúpula de governo do país, incluindo a substituição de dois importantes políticos cubanos. Esta é a primeira grande mudança no gabinete ministerial desde que Raúl Castro substituiu seu irmão, Fidel, no comando do governo de Cuba, no ano passado.

AFP

Presidente de Cuba Raúl Castro, Carlos Lage e Felipe Pérez Roque

De acordo com a emissora de televisão estatal cubana, o vice-presidente Carlos Lage e o ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque, estão entre os nomes que perderam cargos na reforma ministerial.

Tanto Lage como Pérez Roque eram considerados possíveis candidatos à sucessão cubana - ambos seriam aliados próximos de Fidel Castro.

Lage, de 57 anos, manteve o cargo de vice-presidente do Conselho de Estado, mas foi substituído na função de chefe de gabinete pelo general José Amado Ricardo Guerra, militar leal a Raúl Castro que comandou as Forças Armadas de Cuba durante décadas.

O vice-presidente era apontado como o responsável pela salvação da economia cubana após o colapso da União Soviética.

Felipe Pérez Roque foi secretário pessoal de Fidel Castro e ocupava a pasta das Relações Exteriores há cerca de dez anos. Aos 43 anos, ele foi substituído por seu vice, Bruno Rodríguez.

A lista dos que deixam o governo inclui ainda o ministro da Economia, José Luis Rodríguez, a ministra de Finanças e Preços, Georgina Barreiro Fajardo, e o ministro do Trabalho, Alfredo Morales Cartaya.

Também foi anunciada a fusão dos Ministérios de Comércio Exterior e Investimentos Estrangeiros e dos Ministérios da Indústria Alimentícia e da Pesca.

O anúncio do Conselho de Estado afirma que a decisão de Raúl Castro está "de acordo" com sua ideia, lançada em 24 de fevereiro, de reduzir e reestruturar o governo cubano.

O comunicado ainda sinaliza que estas não devem ser as únicas mudanças no governo.

"Percebeu-se a necessidade de continuarmos estudando a atual estrutura do governo com o objetivo de reduzirmos gradualmente seu tamanho e elevar sua eficiência", diz o documento.

Segundo o editor da BBC para a América Latina, Emilio San Pedro, o fato de as mudanças incluírem colaboradores históricos de Fidel pode sinalizar o desejo de Raúl Castro de imprimir sua marca pessoal no governo cubano.

A maior prova disso, segundo San Pedro, está no fato de o cargo de chefe de gabinete ter sido dado a um militar, o general José Amado Ricardo Guerra, que , por muitos anos, trabalhou sob as ordens de Rául, quando este era o ministro da Defesa.

Para Emilio San Pedro, o governo do presidente dos Estados Unidos, Barak Obama, deve observar as mudanças em Cuba com interesse, em um momento em que os dois países, pela primeira vez em muitos anos, parecem dispostos a melhorar as relações bilaterais.

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