Raúl Castro alerta que não pode apressar as mudanças econômicas em Cuba

O presidente de Cuba, Raúl Castro, esfriou neste domingo as expectativas dos cubanos sobre as mudanças econômicas rápidas e profundas ao alertar que não pode haver riscos de improvisação com decisões apressadas.

AFP |

"Limito-me, por ora, a expressar que na atualização do modelo econômico cubano, questão na qual se avança com um enfoque integral, não pode haver espaço aos riscos da improvisação e pressa", afirmou o presidente ao encerrar a sessão parlamentar anual.

Raúl Castro disse ter consciência das "expectativas e honestas preocupações dos cubanos quanto à velocidade e profundidade das mudanças que temos que introduzir no funcionamento da economia".

O presidente de 78 anos assinalou que "é preciso caminha na direção do futuro, com passo firme e seguro, porque não temos o direito de nos equivocarmos", e também alertou que 2010 será um ano difícil e serão mantidas as restrições financeiras derivadas da crise.

Segundo balanço apresentado pelo ministro da Economia, Marino Murillo, neste domingo, Cuba registrou um crescimento econômico de 1,4% em 2009, muito abaixo dos 6% previstos.

Em 2009, os investimentos diminuíram 16%, as exportações de bens e serviços caíram 22,9% e as importações diminuíram 37,4%, enquanto a agricultura cresceu 4,5%, o transporte 4,6%, os serviços 4% e a indústria 2%, informou Murillo.

Segundo ele, a queda do preço internacional do níquel, principal produto de exportação, teve um impacto muito negativo para a economia, pois se esperava vendê-lo este ano a 12.000 dólares a tonelada, mas o preço foi de 10.000 dólares, enquanto que houve uma importante redução - não informado - nas rendas do turismo (2,3 bilhões em 2008).

Ao destacar que problema mais imediato enfrentado pelo país é a falta de divisas, anunciou que será dada prioridade ao financiamento de setores que geram rendas externas, como as exportações de níquel, rum e tabaco, turismo, biotecnologias e telecomunicações.

Ante a crise, o governo também dispôs em 2009 cortes no orçamento, reduções drásticas no consumo de energia e diminuições nos alimentos subsidiados (caderneta de abastecimento) para a população de 11,2 milhões de habitantes.

A produtividade do trabalho caiu 1,1%, apesar de Raúl Castro aplicar medidas para impulsionar o rendimento trabalhista, mas persiste um desestímulo porque o salário médio - que cresceu 2,2% - é de 18 dólares ao mês.

O ministro argumentou que no crescimento modesto da economia em 2009 - o menor nos últimos sete anos - se deveu ao impacto da crise internacional, aos danos dos furacões, que deixaram perdas de 10 bilhões de dólares, e ao embargo dos Estados Unidos.

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