Ratko Mladic se apresentará à corte de Haia na sexta-feira

Ex-comandante servo-bósnio, que foi extraditado da Sérvia para a Holanda na terça, terá de se declarar culpado ou inocente

iG São Paulo |

AP
Foto fornecida pelo jornal Politika do ex-comandante do Exército servo-bósnio Ratko Mladic, que foi preso em 26/05/2011
O ex-comandante militar servo-bósnio Ratko Mladic, extraditado da Sérvia para a Holanda após ficar 16 anos foragido, será formalmente acusado de genocídio no tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas na sexta-feira.

Juízes do Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia marcaram a primeira aparição de Mladic no tribunal para às 5 horas (horário de Brasília) da sexta-feira, quando ele será acusado e receberá um pedido para se declarar culpado ou inocente, segundo comunicado no site da corte.

Serge Brammertz, promotor do tribunal, disse em entrevista para a rádio austríaca ORF nesta quarta-feira que será feito todo o possível para evitar um julgamento lento. Vários julgamentos sobre crimes de guerra em Haia se arrastaram por anos.

Questionado quando tempo deve levar todo o processo, ele disse que isso depende de uma série de fatores, incluindo a saúde de Mladic ou se ele apontar uma equipe de defesa ou decidir ele mesmo se defender.

"É muito difícil dizer quanto tempo levará. O problema não será a promotoria, porque temos nossa peça de acusação atualizada, mas será uma questão de quanto tempo a defesa precisará para preparar seu caso."

Mladic foi indiciado no tribunal há 16 anos por conta do cerco de 43 meses à capital bósnia Sarajevo e pelo massacre de 8 mil homens e meninos muçulmanos na cidade de Srebrenica , perto da fronteira com a Sérvia, durante a guerra da Bósnia entre 1992 e 1995.

Mladic, de 69 anos, foi levado para um centro de detenção nos arredores de Haia após chegar na noite de terça-feira ao aeroporto de Roterdã em um avião do governo sérvio.

Processo de extradição

A decisão pela extradição foi tomada depois de um conselho judicial do departamento especial de crimes de guerra do Tribunal de Belgrado ter rejeitado na terça-feira apelação apresentada pela defesa de Mladic.

O recurso contra a extradição para o tribunal da ONU foi recebido na terça-feira pela Justiça sérvia. A defesa de Mladic baseou seu recurso no suposto mal estado de saúde do ex-comandante. Na sexta-feira, a Justiça sérvia já havia determinado que Mladic estava em condições de ser extraditado .

No início da terça-feira, Mladic foi brevemente solto de sua cela, viajando em um comboio altamente secreto para um cemitério em Belgrado onde deixou uma única vela no túmulo de sua filha Ana, que se suicidou durante a Guerra da Bósnia.

Segundo o promotor-adjunto de crimes de guerra sérvio, Bruno Vekaric, a operação, considerada de grande risco para a segurança, foi realizada durante 22 minutos e transcorreu sem problemas. O acusado pediu nos últimos dias permissão para ver o túmulo de sua filha, que se suicidou aos 23 anos, em 1994. Sua família, no entanto, acredita que ela foi assassinada.

*Com Reuters, AP, AFP e EFE

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