Ratko Mladic recebeu tratamento contra câncer há dois anos, diz advogado

Segundo defesa, ex-comandante servo-bósnio ficou internado em hospital na Sérvia entre abril e julho de 2009

iG São Paulo |

O advogado do ex-comandante do Exército servo-bósnio Ratko Mladic disse nesta quinta-feira que seu cliente recebeu tratamento contra câncer há dois anos, quando ainda estava foragido.

Milos Saljic mostrou à Justiça um documento, supostamente do hospital, para provar que Mladic teve um linfoma e foi tratado em um hospital em 2009.

À Associated Press (AP), Saljic disse que Mladic tinha um linfoma e depois foi submetido a uma cirurgia e ao tratamento de quimioterapia. O advogado mostrou à AP uma cópia de um suposto diagnóstico médico dizendo que Mladic esteve em um hospital na Sérvia entre 20 de abril e 18 de julho de 2009. O documento teve assinaturas dos médicos e o timbre encobertos para esconder nomes do hospital e dos médicos que teriam cuidado de Mladic.

AP
Milos Saljic, advogado de Ratko Mladic, mostra documento que provaria câncer de ex-comandante servo-bósnio
O início do certificado médico faz referência ao nome de Mladic, com data e local de nascimento, além do nome do pai do ex-comandante e seu posto militar como general. O nome de Mladic, no entanto, não aparece em nenhum outro lugar do documento do hospital, que se refere a ele apenas como “o paciente.”

Saljic deu uma cópia do documento a um juiz e promotores na Sérvia quatro horas antes de sua tentativa de impedir, sem sucesso, a extradição de Mladic a Haia, onde será julgado por crimes de guerra.

Um deles, o promotor-adjunto de crimes de guerra sérvio, Bruno Vekaric, disse na quinta-feira que o documento é um truque da defesa e questionou o diagnóstico apresentado pelo advogado. O ministro da Defesa sérvio, Dragan Sutanovac, acusou Saljic de manipulação e se disse cético sobre a nova informação. “Eu realmente não acredito nessa história, mas investigarei”, disse o ministro.

Haia

O ex-comandante militar servo-bósnio, extraditado da Sérvia para a Holanda após ficar 16 anos foragido, será formalmente acusado de genocídio no tribunal de crimes de guerra da Organização das Nações Unidas na sexta-feira.

Juízes do Tribunal Criminal Internacional para a ex-Iugoslávia marcaram a primeira aparição de Mladic no tribunal para às 5 horas (horário de Brasília) da sexta-feira, quando ele será acusado e receberá um pedido para se declarar culpado ou inocente, segundo comunicado no site da corte.

Mladic foi indiciado no tribunal há 16 anos por conta do cerco de 43 meses à capital bósnia Sarajevo e pelo massacre de 8 mil homens e meninos muçulmanos na cidade de Srebrenica , perto da fronteira com a Sérvia, durante a guerra da Bósnia entre 1992 e 1995.

Mladic, de 69 anos, foi levado para um centro de detenção nos arredores de Haia após chegar na noite de terça-feira ao aeroporto de Roterdã em um avião do governo sérvio.

Processo de extradição

A decisão pela extradição foi tomada depois de um conselho judicial do departamento especial de crimes de guerra do Tribunal de Belgrado ter rejeitado na terça-feira apelação apresentada pela defesa de Mladic.

O recurso contra a extradição para o tribunal da ONU foi recebido na terça-feira pela Justiça sérvia. A defesa de Mladic baseou seu recurso no suposto mal estado de saúde do ex-comandante. Na sexta-feira, a Justiça sérvia já havia determinado que Mladic estava em condições de ser extraditado .

No início da terça-feira, Mladic foi brevemente solto de sua cela, viajando em um comboio altamente secreto para um cemitério em Belgrado onde deixou uma única vela no túmulo de sua filha Ana, que se suicidou durante a Guerra da Bósnia.

Segundo o promotor-adjunto Bruno Vekaric, a operação, considerada de grande risco para a segurança, foi realizada durante 22 minutos e transcorreu sem problemas. O acusado pediu nos últimos dias permissão para ver o túmulo de sua filha, que se suicidou aos 23 anos, em 1994. Sua família, no entanto, acredita que ela foi assassinada.

*Com AP

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