Haia, 21 jul (EFE) - A inesperada detenção do ex-líder político servo-bósnio Radovan Karadzic deixa o antigo chefe militar, o ex-general Ratko Mladic, como o principal dos acusados pelo Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia (TPII) que ainda permanecem foragidos.

O outro foragido é Goran Hadzic, o ex-antigo líder dos sérvios da Croácia durante o conflito de 1991, e foi acusado, entre outros crimes, da expulsão da população croata e não sérvia de Krajina, assim como de assassinato, perseguição, tortura e tratamento desumano.

Um dos principais colaboradores dos dois líderes servo-bósnios, o ex-general Zdravko Tolimir, era o chefe de segurança e inteligência de Mladic.

Ele foi detido em 2007 e transferido ao TPII, com sete acusações: genocídio, conspiração para cometer genocídio, extermínio, assassinato, perseguições, deslocamentos à força da população e deportação, por participação no massacre de oito mil muçulmanos em Srebrenica (1995).

A prisão de foragidos continuou em junho passado, com a detenção de Stojan Zupljanin, um ex-chefe policial servo-bósnio, contra o qual pesam 12 acusações de crimes de guerra e lesa-humanidade na zona de Banja Luka (Bósnia).

Karadzic e Mladic, de 65 anos, são considerados os principais responsáveis pelo massacre de oito mil muçulmanos em 11 de julho de 1995 em Srebrenica (Bósnia) e do ataque a Sarajevo, que deixou dez mil mortos durante a guerra bósnia.

Por esses motivos, o TPII os acusou de genocídio, crimes de lesa-humanidade e de guerra.

A ex-promotora do TPII, Carla del Ponte, declarou em várias ocasiões que Mladic permanece escondido na Sérvia e que a Igreja Ortodoxa sérvia na Bósnia também encobria Karadzic.

Em junho de 2005, o chefe dos serviços secretos militares da Sérvia e Montenegro, Svetko Kovac, confirmava que o general viveu até 2002 em sua casa no bairro de Banovo Brdo, de Belgrado, e que às vezes se alojava também em algumas instalações do Exército.

Em 21 de fevereiro de 2006, a imprensa local afirmou que Mladic poderia ser entregue em breve ao TPII.

No ano seguinte, em 4 de junho de 2007, a promotora Carla Del Ponte iniciou uma visita a Belgrado, alguns dias depois da captura e extradição do general Zdravko Tolimir, ajudante de Mladic na guerra da Bósnia (1992-1995).

A captura dos foragidos restantes, todos eles sérvios, centrou a primeira visita a Belgrado do novo promotor do tribunal, o belga Serge Brammertz, que ocorreu em abril.

O outro foragido, Hadzic, foi presidente de fevereiro de 1992 até finais de 1993 da rebelde República Sérvia de Krajina, um território da Croácia povoado por sérvios que se declararam independentes depois que os croatas fizeram o mesmo, em 1991.

Segundo o calendário do TPII, em 2008 todos os casos deveriam estar perante o Tribunal e dois anos mais tarde deveriam ter sido encerrados todos os processos para que a Corte fechasse suas portas.

O TPII foi fundado em 1993 pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para julgar os autores de graves violações do direito internacional no território da Antiga República da Iugoslávia desde 1991 e como resposta às ameaças da paz e a segurança internacional.

A condenação máxima que podem os juízes do TPII impor é a prisão perpétua, que tem que ser realizada em um dos países que assinaram um acordo com a ONU para aceitar pessoas condenadas. EFE kl/db

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