Ratko Mladic é extraditado para Haia, na Holanda

Ex-comandante servo-bósnio acusado de crimes de guerra ficará à disposição do Tribunal Criminal Internacional para a antiga Iugoslávia

iG São Paulo |

AP
Veículo branco leva Ratko Mladic para o Aeroporto Internacional de Belgrado, de onde seguiu para Haia
O ex-comandante do Exército servo-bósnio Ratko Mladic foi extraditado nesta terça-feira e viajou de Belgrado, capital da Sérvia, para a Haia, na Holanda, onde ficará à disposição do Tribunal Criminal Internacional para a antiga Iugoslávia (TPII).

De acordo com a ministra de Justiça da Sérvia, Snezana Malovic, a decisão ocorre depois de um conselho judicial do departamento especial de crimes de guerra do Tribunal de Belgrado ter rejeitado nesta terça-feira o recurso da defesa de Mladic sobre sua extradição. A apelação apresentada pela defesa de Mladic foi rejeitada por um painel de três juízes.

Como a transferência de Mladic a Haia é considerada uma operação de risco, ela está sendo realizada em segredo, e as autoridades não estão divulgando horários e procedimentos. O mesmo procedimento foi usado para a extradição há três anos de Radovan Karadzic , outro criminoso de guerra servo-bósnio.

O recurso contra a extradição para o tirbunal da ONU foi recebido nesta terça-feira pela Justiça sérvia. A defesa de Mladic baseou seu recurso no suposto mal estado de saúde do ex-comandante. Na sexta-feira, a Justiça sérvia já havia determinado que Mladic está em condições de ser extraditado .

Mladic é acusado no tribunal de atrocidades cometidas pelas tropas sérvias durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), incluindo o massacre de até 8 mil muçulmunos bósnios na cidade de Srebrenica , em 1995, e o cerco brutal de 43 meses a Sarajevo.

No início desta terça-feira, Mladic foi brevemente solto de sua cela, viajando em um comboio altamente secreto para um cemitério em Belgrado onde deixou uma única vela no túmulo de sua filha Ana, que se suicidou durante a Guerra da Bósnia.

Segundo o promotor-adjunto de crimes de guerra sérvio, Bruno Vekaric, a operação, considerada de grande risco para a segurança, foi realizada durante 22 minutos e transcorreu sem problemas.O acusado pediu nos últimos dias permissão para ver o túmulo de sua filha, que se suicidou aos 23 anos, em 1994. Sua família, no entanto, acredita que ela foi assassinada.

Pensão para a família

A defesa de Mladic solicitou que a família do acusado disponha de sua pensão de 900 euros por mês, congelada desde 2005. O advogado Milan Saljic apresentou a solicitação à Justiça sérvia para que o ex-comandante assine um documento que autorizaria seu filho a receber sua pensão, informou o diário "Politika" nesta terça-feira.

As autoridades proibiram em 2005 o pagamento da pensão a Mladic por considerar que esse dinheiro poderia ser usado para financiar sua fuga. O ex-comandante ficou foragido por 16 anos.

A defesa assegura que Mladic tem direito a uma pensão de 90 mil dinares por mês (cerca de 900 euros). Considerando-se a quantia que teria se acumulado desde 2005, diz a defesa, ele teria direito a receber mais de 4,7 milhões de dinares (47 mil euros).

*Com AP, AFP e EFE

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