Rasmussen defende nova estratégia para Afeganistão

Cabul, 5 ago (EFE).- O novo secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Anders Fogh Rasmussen, que visita Cabul, defendeu hoje a adoção de uma estratégia mais ampla no Afeganistão, que não só inclua o esforço militar, mas também o diálogo com grupos insurgentes que estejam dispostos a abandonar as armas.

EFE |

Em entrevista coletiva no Palácio Presidencial afegão, Rasmussen esclareceu que o Governo tem que liderar este processo de diálogo, mas sempre "com uma posição de força".

"Também quero deixar claro que para mim é um requisito que os grupos com os quais dialoguemos renunciem às armas e respeitem as leis do país", declarou o chefe da Aliança, que aterrissou hoje em Cabul em sua primeira visita desde que assumiu o cargo.

O diplomata dinamarquês, ao lado do presidente afegão, Hamid Karzai, assegurou estar disposto a "dar passos pragmáticos" no país centro-asiático que ofereçam mais segurança às tropas estrangeiras, entre eles o diálogo com um número limitado de grupos insurgentes.

Karzai afirmou que, vencendo as eleições presidenciais previstas para 20 de agosto, sua prioridade será "fortalecer e agilizar o processo de paz", tentando atrair à mesa de negociações os grupos talibãs e da organização fundamentalista Hizb-e-Islami, que tem ramificações no Paquistão, desde que "não façam parte" da rede terrorista Al Qaeda.

O presidente afegão sempre foi partidário de um diálogo amplo com a insurgência, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assegurou mês passado que Washington dará as boas-vindas aos fundamentalistas que abandonem as armas, se afastem da Al Qaeda e aceitem a Constituição afegã.

Rasmussen quis também pôr ênfase hoje na via militar e na necessidade de transferir de forma gradual responsabilidades às forças de segurança afegãs, ao anunciar um novo esforço da Otan para treinar mais soldados afegãos.

"Dou muita prioridade ao Afeganistão. De fato, será minha maior prioridade como secretário-geral", disse Rasmussen.

"Garanto ao povo afegão que ficaremos o tempo que seja necessário até que acabemos nosso trabalho", afirmou.

E ressaltou ainda que as tropas estrangeiras "farão o possível para reduzir o número de vítimas civis".

"Infelizmente, em um conflito armado sempre haverá vítimas civis", especificou o diplomata, que acrescentou que a maioria das mortes são causadas pelos "inimigos do Afeganistão", em alusão aos talibãs.

A Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf), sob comando da Aliança Atlântica, confirmou hoje a morte de quatro insurgentes em um ataque de helicópteros na província de Kandahar (sul), embora denúncias de moradores da região de que as vítimas seriam civis, em protesto organizado contra as forças estrangeiras.

Segundo relatório da ONU, 2.118 civis morreram no Afeganistão por causa da violência em 2008, 55% deles em ações atribuídas aos talibãs, enquanto as forças afegãs e estrangeiras foram responsáveis da morte de 39%.

Durante sua visita, Rasmussen deve reunir-se com o general Stanley A. McChrystal, comandante das tropas americanas e da Isaf, e com o enviado especial da ONU ao Afeganistão, Kai Eide.

Segundo um comunicado da Otan, amanhã o secretário-geral vai se encontrar com três candidatos à Presidência: o ex-ministro de Assuntos Exteriores Abdullah Abdullah, o antigo titular de Finanças Ashraf Ghani e o vice-presidente da Câmara Baixa, Mirwais Yasini, encontro que se será seguido por uma entrevista coletiva.

Rasmussen visitará também algumas das Equipes Provinciais de Reconstrução (PRT) que a Isaf tem no Afeganistão e trocará impressões com os soldados, segundo a Otan.

Com a chegada dos novos efetivos desdobrados para garantir a segurança durante a realização das eleições, 60 mil soldados estão na missão da Otan no Afeganistão, mais de um terço deles americanos.

EFE lo-amp/fk/mh

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG