Ramos Horta volta ao Timor-Leste e pede que foragidos se entreguem

Mónica Garriga Sydney (Austrália), 17 abr (EFE).- O presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, retornou hoje a seu país, que permanece sob estado de exceção, onde parte dos rebeldes militares que cometeram o atentado fracassado contra ele, há dois meses, ainda estão foragidos.

EFE |

Recuperado dos três tiros que sofreu - dois nas costas e um no estômago - Ramos Horta, de 58 anos, foi recebido como herói por milhares de pessoas.

O ganhador do Nobel da Paz era esperado pelos membros do Gabinete e os cumprimentou um por um, antes de abraçar emocionadamente seu amigo, o primeiro-ministro Xanana Gusmão.

O líder timorense agradeceu a Fernando Lasama de Araujo, que o substituiu interinamente na chefia do Estado, pela "enorme serenidade e integridade" com que desempenhou suas funções.

Também agradeceu "aos partidos políticos e aos membros do Governo, que fizeram um grande trabalho e conseguiram manter a calma, apesar das rivalidades políticas".

O líder pediu aos que cometeram o atentado e continuam foragidos comandados por Gastão Salsinha que se entregassem.

"Peço a Gastão Salsinha que não continue escondido na selva e que se entregue em breve à Igreja ou às autoridades. Não quero que mais ninguém morra", disse Ramos Horta, quase entre lágrimas.

O presidente timorense também se referiu à crítica situação econômica do país e pediu ao Executivo e ao Legislativo que estudem uma forma de "utilizar a receita do petróleo para comprar comida para os pobres".

Milhares de cidadãos o saudaram com bandeirinhas timorenses e gritos de "Viva Ramos Horta" ao longo da estrada que liga o aeroporto com o centro de Díli, antes cheia de buracos, mas agora recém reformada para a ocasião.

No Parlamento, foi ovacionado, ouviu o hino nacional e agradeceu novamente aos dirigentes do país.

Depois voltou para casa, que esta semana passou por uma sessão de exorcismo para libertá-la dos maus espíritos de 11 de fevereiro, quando o ex-comandante militar Alfredo Reinado atirou contra ele.

Reinado, um dos colaboradores do rebelde e um guarda de segurança morreram durante o atentado, que quase matou Ramos Horta.

Já Xanana Gusmão escapou ileso da emboscada que sofreu por outros militares rebelados, que só conseguiram atingir o carro oficial, sem causar vítimas.

O atentado ainda não foi solucionado, e as forças de segurança timorenses, apoiadas pela ONU e por tropas internacionais, também não conseguiram capturar todos os culpados.

"Há cada vez mais indícios que apontam para elementos externos apoiando o descrente Alfredo Reinado. São elementos interessados em desestabilizar o Timor-Leste e colocá-lo em uma guerra civil", disse esta semana Ramos Horta, em uma das muitas declarações que concedeu por ocasião de sua alta médica e de seu retorno.

A ex-colônia portuguesa do Timor-Leste obteve a independência em 20 de maio de 2002, depois de quatro anos sob administração da ONU e após uma sangrenta transição que, em 1999, encerrou os 24 anos de ocupação indonésia.

A independência não preencheu as expectativas da população, atualmente de pouco mais de 900 mil pessoas.

Em março de 2006, o Exército timorense expulsou 599 militares, um terço de sua força, por insubordinação ao se negarem a retirar suas denúncias de corrupção e nepotismo e suas reivindicações de melhoras trabalhistas.

Reinado, que se transformou em líder dos expulsos, organizou passeatas de protesto e desencadeou uma onda de violência na qual 37 pessoas morreram e outras 100 mil fugiram de seus lares, sendo que a maioria delas ainda não retornou.

O retorno da ONU ao país em 2006, a presença da Força Internacional de Segurança, integrada por tropas de Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Portugal, e a realização de eleições presidenciais e parlamentares no ano seguinte não conseguiram normalizar a situação. EFE mg/ev/fb

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