Sydney (Austrália) - O presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, tenta solucionar de forma dialogada a disputa que mantém com os soldados renegados que desestabilizam o país desde 2006 e que tentaram até mesmo lhe matar.

    Ramos Horta, que voltou nesta quinta-feira ao país após mais de dois meses hospitalizado na Austrália, anunciou hoje que poderia chegar a um compromisso para encerrar a disputa, e afirmou que os rebeldes, expulsos há dois anos do Exército por insubordinação, poderiam retornar às Forças Armadas.

    No dia 11 de fevereiro, o prêmio Nobel da Paz de 1996 ficou gravemente ferido em um atentado frustrado no qual morreu o comandante rebelde Alfredo Reinado. No mesmo dia, o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, escapou ileso de outro ataque.

    Reinado liderou em meados de 2006 a revolta dos 599 militares que gerou uma onda de violência que deixou 37 mortos e mais de 100.000 deslocados.

    A crise levou ao desdobramento de forças internacionais de paz lideradas pela Austrália e as Nações Unidas, e forçou a renúncia do então chefe do Executivo, Mari Alkatiri.

    Após a morte de Reinado, o novo chefe dos rebeldes passou a ser seu antigo braço direito Gastão Salsinha, que afirma que só se entregará a Ramos Horta e condiciona sua rendição a que todos os seus homens possam voltar às fileiras do Exército sem ser processados.

    O presidente afirmou que o Governo pode aceitar essas exigências, mas desde que os renegados se submetam ao processo formal de recrutamento.

    Ramos Horta indicou ontem que Reinado, que viajou para Jacarta em maio de 2007, poderia receber apoio na Indonésia de elementos interessados em provocar uma nova guerra civil no Timor-Leste.

    A antiga colônia portuguesa alcançou a independência em 2002, como uma das nações mais pobres do mundo e após uma sangrenta transição que acabou em 1999 com 24 anos de ocupação indonésia.

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