Ramos Horta faz últimos exames médicos antes de voltar ao Timor-Leste

Sydney (Austrália), 16 abr (EFE).- O presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, passou hoje por seu último exame médico na Austrália antes de receber alta e retornar amanhã a seu país, de onde foi retirado em fevereiro em estado de coma assistido após receber três tiros em uma tentativa de assassinato.

EFE |

Um porta-voz oficial disse aos jornalistas que Ramos Horta "está bem, se recuperou muito bem e os médicos permitiram que voltasse para casa".

O líder de 58 anos, que passou as últimas semanas de recuperação em um apartamento, foi internado em 11 de fevereiro no Hospital Real de Darwin com três ferimentos de bala, dois nas costas e um no estômago.

Um grupo de soldados rebeldes, às ordens do ex-comandante Alfredo Reinado, atirou nele no lado de fora de sua casa em Díli. Pouco depois, outro comando emboscou o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que escapou ileso.

Reinado, que morreu na ação junto com um de seus homens e um guarda de segurança, estava "bêbado e zangado" horas antes da operação, segundo declarações de Gastão Salsinha, braço direito do líder rebelde, publicadas hoje pela imprensa australiana.

A segurança foi reforçada em Díli para receber Ramos Horta e, entre outras medidas, foi instalado um posto de controle com 18 soldados junto à residência do líder na capital timorense.

Apesar de Reinado ter morrido e de vários de seus seguidores terem sido detidos desde a tentativa de assassinato, Salsinha continua foragido com um grupo de homens armados.

A atual crise no Timor-Leste surgiu com a expulsão de 599 militares, incluído Reinado, por insubordinação em março de 2006, ao se negarem a retirar suas reivindicações de melhoras trabalhistas e suas denúncias de corrupção e nepotismo no Governo.

Os expulsos levaram seus protestos às ruas, o que iniciou uma onda de violência que matou 37 pessoas e fez com que cerca de 100 mil fugissem de seus lares.

A crise determinou o envio ao país de uma força internacional para ajudar a restabelecer a ordem e o retorno da ONU, que abandonou a antiga colônia portuguesa um ano antes após ter contribuído para o nascimento da nova nação, em 20 de maio de 2002. EFE mg/ev/fal

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