Rainha Elizabeth 2ª visita Irlanda 90 anos após sua independência

Sob forte esquema de segurança, monarca inicia viagem de 4 dias que inclui homenagem a irlandeses que morreram por independência

EFE |

A rainha Elizabeth 2ª iniciou nesta terça-feira uma visita histórica à Irlanda, a primeira de um monarca da Inglaterra desde a independência irlandesa há 90 anos, em meio a um forte cerco de segurança e alguns protestos minoritárias.

Tratou-se do maior dispositivo de segurança no país, com mais de 10 mil policiais e soldados, que foi montado desde as primeiras horas do dia. Enquanto membros do Exército irlandês desativavam uma bomba de fabricação caseira encontrada em um ônibus nos arredores de Dublin, no aeroporto militar Casement, em Baldonnel, continuavam os preparativos para receber ao meio-dia o avião que transportava a rainha.

O vice-primeiro-ministro e ministro das Relações Exteriores irlandês, Eamon Gilmore, a esperava para uma viagem de quatro dias a alguns dos lugares mais emblemáticos do conflito que os dois países mantiveram durante séculos.

Em seguida, a rainha Elizabeth 2ª e seu marido, o duque de Edimburgo, foram para a residência da presidente da República, Mary McAleese. Tratou-se da primeira vez que um monarca inglês ouviu em território irlandês o "Deus salve a Rainha".

AFP
A rainha Elizabeth 2ª e o príncipe Philip, o duque de Edinburgh, chegam a Dublin para uma visita de quatro dias à Irlanda
Após a assinatura do livro de visitas e uma breve conversa com o primeiro-ministro irlandês, Enda Kenny, foram disparados 21 tiros de canhão em homenagem à rainha. Após saudar distintas personalidades, Elizabeth 2ª e Mary plantaram um carvalho irlandês, que simboliza o início de uma nova era de entendimento entre ambos os países.

No entanto, o destaque da jornada aconteceu quando a rainha depositou uma coroa de flores diante do monumento aos irlandeses que morreram pela independência. Durante a solene cerimônia celebrada no jardim da cêntrica Parnell Square, novamente foram tocados os hinos nacionais e, em seguida, fez-se silêncio pelos irlandeses mortos.

Não houve tumulto por causa da visita da monarca por causa das estritas medidas de segurança impostas pela polícia irlandesa em torno da praça, totalmente isolada por causa dos protestos registrados nos arredores.

Igualmente fria se mostrava a O'Connell Street durante a passagem da comitiva real em seu trajeto rumo à Trinity College, universidade fundada em 1592 por Elizabeth 1ª que, durante muito tempo, foi frequentada exclusivamente por protestantes.

Em sua famosa biblioteca, a monarca britânica pôde admirar o Livro de Kells, uma das obras mais importantes do cristianismo celta, cem anos depois da visita de seu avô George 5º, durante a última visita de um monarca inglês à Irlanda sob o controle da Inglaterra.

Pelo fato de os escritórios do Sinn Féin, antigo braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), encontrarem-se atrás do jardim, alguns manifestantes lançaram bolas pretas em sinal de protesto pela visita da rainha.

Ao mesmo tempo, manifestantes de uma organização supostamente vinculada a dissidentes do IRA lançaram garrafas de plástico e outros objetos contra os policiais. Fontes da política irlandesa informaram que vários foram detidos por prejudicar a ordem pública, mas informaram que não foram registrados incidentes graves.

Os dissidentes do IRA advertiram nos últimos dias de sua intenção de realizar atentados na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e no Reino Unido durante a visita de Elizabeth 2ª. Apesar das fortes medidas de segurança, os dissidentes conseguiram lançar nesta terça-feira seis ameaças a bomba em toda a ilha, o que levou ao esvaziamento de shoppings, parques e tribunais.

    Leia tudo sobre: grã-bretanhareino unidoirlandaelizabeth 2ªIRA

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG