Rainha Elizabeth 2ª visita cenário do primeiro Domingo Sangrento

No segundo dia de sua viagem à Irlanda, monarca vai ao Croke Park, onde forças britânicas deixaram 14 mortos em 1920

iG São Paulo |

No segundo dia de sua viagem histórica à Irlanda , a rainha Elizabeth 2ª visitou nesta quarta-feira o estádio de esportes Croke Park em Dublin, onde forças britânicas deixaram 14 mortos durante um jogo de futebol gaélico há 91 anos, em 21 de novembro de 1920. O massacre, conhecido como primeiro "Domingo Sangrento", foi um dos eventos mais significativos da Guerra da Independência da Irlanda (1919-1921).

Em meio a fortíssimas medidas de segurança, a soberana chegou ao estádio com capacidade para 82,3 mil torcedoresacompanhada pela presidente irlandesa, Mary McAleese, e foi recebida pelo presidente da Associação Atlética Gaélica (GAA) - a proprietária do estádio -, Christy Cooney.

No campo, a rainha inspecionou um bastão de Hurling (jogo nacional irlandês de origem celta, semelhante ao hóquei) e conversou com jogadores do futebol gaélico, os dois esportes tradicionalmente irlandeses sob a tutela da GAA. Na sala de troféus, Elizabeth 2ª se reuniu com vários líderes da GAA, apesar de algum deles não assistirem ao encontro em protesto pela presença da soberana na Irlanda.

No Domingo Sangrento, forças paramilitares do Exército britânico entraram no campo e abriram fogo contra o público e os jogadores, deixando 14 mortos, incluindo três crianças, e dezenas de feridos. Esse massacre, um dos mais destacados da luta que levou à independencia da Irlanda, foi organizado em represália a uma operação do IRA (Exército Republicano Irlandês), que horas antes havia deixado 14 mortos entre as forças britânicas.

A presença de Elizabeth 2ª no estádio era um dos momentos de maior simbolismo da primeira visita de um monarca britânico à Irlanda desde a independência, considerada um passo importante para a reconciliação e a normalização das relações entre os dois países.

A rainha, que está acompanhada por seu marido, o duque de Edimburgo, iniciou o dia com uma visita ao da famosa cerveja preta Guinness, onde os dois se recusaram a experimentar a famosa bebida irlandesa.

Mais tarde, Elizabeth 2ª se reuniu com o primeiro-ministro Enda Kenny, que a acompanhou até o Memorial de Guerra Irlandês para depositar uma coroa de flores em homenagem aos 49,4 mil irlandeses mortos na 1ª Guerra Mundial (1914-1918).

Elizabeth 2ª encerrará o dia com um jantar no Castelo de Dublin, sede do governo britânico durante a ocupação da Irlanda, e do qual participará, entre outros, o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron.

Esse será o único ato programado para que a rainha discurse aos irlandeses. Elizabeth 2ª deve aproveitar a oportunidade para destacar a melhora das relações anglo-irlandesas desde o acordo de paz de 1998 na Irlanda do Norte entre os protestantes unionistas e os republicanos católicos.

Visita histórica

A visita da rainha Elizabeth 2ª à Irlanda é a primeira de um monarca da Inglaterra desde a independência irlandesa, há 90 anos. Ela é feita em meio ao maior dispositivo de segurança já montado no país, com mais de 10 mil policiais e soldados.

Antes de sua chegada, na terça-feira, membros do Exército irlandês desativaram uma bomba de fabricação caseira encontrada em um ônibus nos arredores de Dublin. Os dissidentes do IRA advertiram nos últimos dias de sua intenção de realizar atentados na República da Irlanda, na Irlanda do Norte e no Reino Unido durante a visita de Elizabeth 2ª.

O destaque do primeiro dia da visita da monarca ao país aconteceu quando ela depositou uma coroa de flores diante do monumento aos irlandeses que morreram pela independência. Durante a solene cerimônia celebrada no jardim da cêntrica Parnell Square, foram tocados os hinos nacionais e, em seguida, fez-se silêncio pelos irlandeses mortos.

*Com EFE e AFP

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