Quito, 10 ago (EFE).- O presidente do Equador, Rafael Correa, assumiu hoje seu segundo mandato na Presidência com o compromisso de melhorar as condições dos oprimidos em seu país, através do aprofundamento de sua irreversível revolução cidadã.

Em seu discurso de posse, Correa se centrou nos próximos passos de sua revolução pacífica, uma "luta gigantesca", segundo ele, mas também falou de assuntos mais polêmicos como suas diferenças com a Colômbia e sua convicção de que é preciso frear os "excessos" da imprensa.

"É uma luta que já começamos e que ninguém vai parar. É a revolução dos oprimidos", afirmou, ao ressaltar que se trata de um processo "irreversível" e pacífico, para construir uma sociedade "inclusiva, solidária e equitativa".

Logo depois de chegar pela primeira vez à Presidência, em janeiro de 2007, Correa promoveu a necessidade de uma nova Constituição, que foi aprovada em um plebiscito em 2008 e, entre outras novidades, trouxe a possibilidade de reeleição presidencial.

Reeleito em abril, assumiu o cargo pela segunda vez hoje, para um mandato de outros quatro anos, até 2013, na presença da maioria dos presidentes sul-americanos, em uma cerimônia na Assembleia Nacional.

A nova Carta Magna é "um canto à vida" e a "pedra de fundação de uma mudança de época deste novo tempo da pátria", afirmou o líder de Estado.

Correa mencionou como eixos de seu Governo a luta contra a corrupção, uma mudança de rumo na política econômica para dar supremacia ao ser humano sobre o capital e a reforma nas estruturas do Estado.

Assegurou que com ações que não afetaram os mais pobres, o Equador saiu sem traumas da pior parte da crise financeira internacional e "muito provavelmente será um dos poucos países da América Latina que crescerá este ano", além de ter "uma das taxas de desemprego mais baixas da região".

O Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu último relatório de perspectivas econômicas, considera, no entanto, que a economia do Equador terá uma taxa de contração de 2% este ano.

Correa, muito crítico ao FMI e a outros organismos de crédito, assinalou que seu Governo "jamais permitiu, nem permitirá que alguma burocracia internacional" imponha suas políticas, ao falar de suas ações sobre a dívida externa do país.

Com "coragem e habilidade", pela primeira vez o Equador conseguir "vencer especuladores financeiros", na operação pela qual comprou 91% dos bônus Global 2012 e 2030, "com desconto de 70%", disse.

Ao falar da recuperação da dignidade como um dos eixos de seu Governo, Correa mencionou a busca da integração com o fortalecimento da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba) e da União de Nações Sul-americanas (Unasul), cuja Presidência pro tempore assumiu hoje.

Também falou em seu discurso de posse sobre o compromisso de fortalecer relações bilaterais com outros países da região "baseadas no diálogo, cooperação e desenvolvimento", assim como no "respeito mútuo" e da soberania.

Neste sentido, voltou a criticar a operação militar colombiana contra um acampamento que as Forças Armadas Revolucionários da Colômbia (Farc) tinham instalado no Equador, em 2008, e rejeitou a possível utilização de bases militares colombianas pelos Estados Unidos, o que, segundo ele, afetaria todo o continente.

"Se a Colômbia nos diz agora que o uso das bases militares é um problema estritamente colombiano, eu qualifico como uma dupla moral", afirmou Correa, antes de se perguntar "por que não se diz o mesmo sobre os programas nucleares de países classificados como hostis a certos centros de poder?".

Em seu discurso, Correa desejou que esse acordo não fortaleça "a política de guerra" e que ele não se dirija contra "os Governos insurgentes" da América, em vez de contra o narcotráfico, alvo declarado pelos EUA e pela Colômbia.

Além disso, denunciou uma "nova disputa midiática internacional" e a "hipocrisia" com a qual diversos meios internacionais apontam uma suposta relação de seu Governo com as Farc.

"Nós queremos que o mundo inteiro entenda que os problemas de guerrilha, de paramilitarismo, de narcotráfico, de cultivo de coca, de incapacidade de controlar o território nacional, de narcopolítica não estão no Equador, mas na Colômbia", afirmou, enfaticamente.

Além disso, Correa, que desde que iniciou seu primeiro período no Governo manteve um permanente e duro confronto com vários meios de comunicação de seu país, propôs tomar medidas de controle para frear os "excessos" da imprensa.

"Concordo plenamente que a vigência da democracia exige meios de informação livres, independentes e críticos, mas uma coisa é a existência da imprensa com essas características e outra muito diferente é a imposição da opinião pública pelos interesses privados" destas empresas, acrescentou. EFE sm/pd

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