Radovan Karadzic passa às mãos da justiça internacional

O ex-líder político dos sérvios bósnios, Radovan Karadzic, acusado de crimes de guerra e genocídio pelo Tribunal Penal Internacional (TPI), foi transferido nesta quarta-feira para a prisão em Haia, e a corte comemorou a cooperação com a Sérvia.

AFP |

Radovan Karadzic, levado na madrugada de terça para quarta-feira para Haia depois do acordo das autoridades sérvias, comparecerá nesta quinta-feira pela primeira vez ante um juiz do TPI.

O avião que transportava um dos homens mais procurados do mundo aterrissou no aeroporto de Rotterdã (oeste da Holanda) às 06H30 (04H30 GMT), onde foi instalado um importante dispositivo de segurança para seu traslado para a prisão de Scheveningen (arredores de Haia).

"Karadzic, que foi detido em 21 de julho de 2008 na Sérvia, foi admitido no centro de detenção de Haia", informou o Tribunal Penal Internacional (TPI) para a ex-Iugoslávia em um comunicado.

Karadzic, que será examinado por um médico, comparecerá ante um juiz do TPI quinta-feira, em audiência na qual ele será questionado sobre sua inocência ou culpabilidade. Para responder a esta pergunta, ele terá um prazo legal de 30 dias.

O promotor do TPI, Serge Brammertz, considerou que a detenção de Karadzic "é um grande êxito da cooperação da Sérvia com o Tribunal. As autoridades sérvias merecem todo o crédito por sua prisão", declarou aos jornalistas.

Karadzic é considerado o cérebro da "limpeza étnica" lançada com o apoio de Belgrado, segundo a Promotoria do TPI, contra muçulmanos e croatas durante a guerra da Bósnia, que deixou 100.000 mortos e 2,2 milhões de refugiados, a metade da população Bósnia.

Os 27 países da União Européia haviam advertido às autoridades de Belgrado de que a Sérvia não poderia ter expectativa de integração no bloco enquanto não detivessem Karadzic.

Os europeus também pedem a detenção de outros dois processados pelo TPI, Ratko Mladic, braço direito militar de Radovan Karadzic durante a guerra da Bósnia, e a de Goran Hadzic, ex-presidente da auto-proclamada república sérvia de Krajina.

"Espero que a cooperação da Sérvia com o Tribunal permitirá deter os outros dois fugitivos. Sem sua prisão, não poderá concluir o mandato do TPI", insistiu Brammertz.

Ele também disse que não prevê uma nova avaliação da cooperação de Belgrado.

Radovan Karadzic também deverá responder no TPI pelo assédio de Sarajevo, que deixou inúmeras vítimas, e pela detenção de milhares de civis em campos do noroeste da Bósnia.

O traslado de Karadzic a Haia aconteceu horas depois de uma manifestação organizada pela oposição nacionalista sérvia no centro de Belgrado, que terminou em confrontos jovens e policiais.

axr/lm

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