Radioterapia pode reduzir função cognitiva de pacientes com tumor cerebral

(Embargada até as 20h01 de Brasília) Londres, 9 ago (EFE).- A radioterapia pode reduzir a função cognitiva dos pacientes que têm tumores cerebrais comuns, segundo um estudo publicado hoje pela revista médica britânica The Lancet.

EFE |

A pesquisa, a cargo dos médicos do VU University Medical Center, em Amsterdã, se concentra no glioma de baixo grau (LGG, em inglês), que é o tipo de câncer cerebral mais frequente.

A radioterapia é um dos sistemas de cura mais comuns, mas existem "dúvidas" sobre qual é o melhor tratamento, segundo os especialistas holandeses.

Segundo os pesquisadores, "a radioterapia pode causar danos no cérebro durante o tempo e, dado que a sobrevivência média de pacientes com LGG é de dez anos, estes pacientes correm um risco considerável de sofrer lesões de radiação tardias ou atrasadas".

O estudo em questão foi realizado com base em pacientes sobreviventes de um estudo anterior dos mesmos pesquisadores, no qual descobriram que, seis anos depois do diagnóstico, os altos níveis de radioterapia e o próprio tumor estavam associados a uma "incapacidade cognitiva".

Os médicos de Amsterdã acompanharam a evolução cognitiva de 65 desses doentes, que tinham a doença estabilizada desde o primeiro estudo, 12 anos após receber tratamento.

Variáveis como a atenção, a função executiva, a memória verbal, a função psicomotora e a velocidade de processamento de informação foram calculadas para determinar as diferenças entre os doentes com radioterapia (a metade) e os que não tiveram esse tratamento (a outra metade).

"No total, 27% dos pacientes que não se submeteram à radioterapia tinham incapacidade cognitiva, em comparação com mais da metade (53%) dos que tinham recebido radioterapia", que também apresentavam impedimentos, afirmam os autores.

O resultado do estudo, destacam os especialistas, "indica que a radioterapia está associada à deterioração cognitiva a longo prazo, à margem da dose (...)".

Os especialistas de Amsterdã concluem que "tratar pacientes que têm LGG com radioterapia deveria ser considerado com cuidado", e sugerem que um tratamento diferente poderia ser "mais benéfico para o status cognitivo e a qualidade de vida". EFE pa/an

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