Radicalismo do Tea Party pode atrapalhar republicanos em 2012

Divisão que movimento ultraconservador causa em partido opositor dos EUA pode afastar eleitores, diz analista

Carolina Cimenti, de Nova York |

AP
Pré-candidato republicano Ron Paul posa para foto durante evento de campanha em Iowa em 28/12/2011. Ele é considerado pai padrinho intelectual do movimento Tea Party
O movimento Tea Party ajudou o Partido Republicano a conquistar a maioria da Câmara dos Representantes nas eleições legislativas de 2010 , mas sua influência pode acabar sendo negativa nas eleições presidenciais de 2012. É o que afirma o analista político Stu Rothenberg, que lembra que fazer campanha é uma coisa, mas trabalhar como candidato eleito é outra, e não necessariamente mais fácil.

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“O Tea Party ajuda os republicanos a atrair os eleitores mais radicais e críticos do atual presidente Barack Obama, mas acaba criando problemas quando divide o partido e o torna mais fraco”, disse Rothenberg. O exemplo mais recente dessa divisão ocorreu no final de 2011, quando o Senado americano conseguiu negociar a prorrogação da redução de impostos sobre a folha de pagamento, que deveria parar de vigorar no fim de 2011, mas a Câmara dos Deputados ameaçou vetar a decisão .

Depois de dias de pressão por parte dos democratas e do próprio Obama, os radicais do Tea Party tiveram de ceder, concedendo uma vitória política ao presidente e a seu Partido Democrata em 23 de dezembro. “Resumindo, o Tea Party ajuda os republicanos quando abre mais espaço na mídia para os temas defendidos por eles, mas atrapalha quando não permite negociações por ser radical demais. O problema é que quanto mais clara essa divisão no partido ficar para o eleitor, menos votos eles atrairão”, alertou Rothenberg.

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Mas, afinal, o que é o Tea Party?

Surgido em 2009, ele é um movimento político populista, com um discurso ultraconservador em relação às questões sociais e liberal em relação à economia. O movimento é baseado dentro do Partido Republicano e tem como principais representantes os atuais pré-candidatos à presidência dos EUA Ron Paul (considerado o padrinho intelectual do movimento) e Michele Bachmann , além da ex-candidata à vice-presidência Sarah Palin , e os atuais deputados federais Rand Paul, Dick Armey e Eric Cantor.

O nome se refere a um protesto realizado em Boston em 1773, quando os EUA ainda eram colônia da Inglaterra, contra os impostos cobrados pelos ingleses sobre o chá (tea, em inglês) - produto sobre o qual detinham o monopólio de importação. Para protestar contra essa taxa, centenas invadiram três navios carregados com chá vindo da Índia. Após destruir o carregamento, os manifestantes o jogaram na água do porto.

A mobilização ficou famosa e entrou para a história como um dos momentos mais emblemáticos da resistência contra imposições inglesas sobre os americanos. Desde então seu nome - Boston Tea Party (ou Festa do Chá em Boston) - passou a ser usado em diversas outras ocasiões para batizar movimentos de resistência.

Em janeiro de 2009, no auge da crise financeira e econômica, milhares decidiram protestar contra a criação de novos impostos e os gastos públicos para salvar bancos falidos. Os protestos ao redor do país começaram a adotar frases e símbolos do Boston Tea Party e rapidamente rebatizaram o nome, dizendo que TEA significava Tax Enough Already, ou algo como “já temos impostos suficientes”.

Não demorou para que alguns republicanos passassem a apoiar a causa. A primeira republicana a falar em público sobre o tema foi Sarah Palin, mas, rapidamente durante a campanha presidencial e para o Congresso americano em 2010, vários outros republicanos mencionaram os protestos e a necessidade de cortar impostos e gastos públicos.

O movimento abandonou as ruas depois das eleições, mas se transformou em uma facção radical, populista e barulhenta do Partido Republicano na Câmara dos Representantes e no Senado. Ele defende principalmente um governo mais enxuto e com menos políticas sociais. Segundo o Tea Party, o governo deve gastar menos, cobrar menos impostos e reduzir a dívida e o déficit do orçamento do país.

O problema é que, segundo alguns analistas políticos, o Tea Party às vezes é tão radical que acaba atrapalhando as negociações e engessando o trabalho do Congresso. “Quando não há negociações sérias, não se faz política, e o resultado pode acabar sendo o congelamento do governo como um todo. Todas as vezes em que isso aconteceu em 2011, a imagem dos republicanos sofreu, enquanto os democratas acabaram ficando mais populares”, completou Stu Rothenberg.

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